O deputado republicano Thomas Massie, do Kentucky, afirmou que retomará o pedido de impeachment do secretário de Defesa, Pete Hegseth, a menos que ele deixe o cargo. A declaração foi publicada na rede X na quarta-feira. Massie deixa a Câmara dos Representantes em 3 de janeiro de 2027.
Massie perdeu a prévia do partido em maio para Ed Gallrein, ex-oficial da Marinha dos Estados Unidos e aliado do presidente Donald Trump. Ele já havia se afastado de Trump por causa da guerra contra o Irã. Nas eleições legislativas, os democratas conquistaram pelo menos sete cadeiras no Senado e dezenas na Câmara, inclusive em estados tradicionalmente republicanos.
Por que o impeachment está em pauta
Hegseth foi um dos principais defensores de uma guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro e batizada de Operação Fúria Épica. Massie o acusa de violar a Constituição na condução do conflito. Em setembro, o deputado já havia tentado abrir o processo. Segundo a reportagem, a votação poderia ter sido aprovada, mas o presidente da Câmara, Mike Johnson, mandou a casa para recesso até depois das eleições.
Segundo levantamento citado pela reportagem, os Estados Unidos já gastaram pelo menos 47,1 bilhões de dólares na guerra até o fim de outubro. O Escritório de Orçamento do Congresso estima custos diretos entre 2 e 3 bilhões de dólares por mês. Há ainda o impacto dos preços mais altos dos combustíveis sobre a economia. Ao ser questionado, Trump disse que faria a mesma coisa de novo.
Hegseth também é alvo de críticas dentro das Forças Armadas. Desde que assumiu o Pentágono, ele promoveu uma ênfase na cultura de combate e demitiu oficiais de carreira, segundo a reportagem. Em julho, reduziu a lista de religiões reconhecidas nas Forças Armadas de cerca de 200 para 31. Grupos de direitos civis registraram centenas de queixas de militares sobre a mistura entre religião e conflitos militares.
Para afastar Hegseth, seus adversários precisariam de 67 votos no Senado. Os democratas devem ficar com entre 54 e 56 cadeiras, o que exigiria o apoio de pelo menos 11 republicanos. O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, também critica o secretário, mas deixa o Senado em janeiro. O senador Rand Paul, do Kentucky, já entrou em conflito com Hegseth e aparece como possível aliado.
Ainda não está claro como Trump vai reagir. Se ele defender Hegseth de forma firme, é provável que os republicanos se alinhem ao secretário e a condenação se torne improvável. Se o presidente entender que o secretário virou um problema, a decisão pode ficar com o próprio partido. A reportagem não informa se Hegseth pretende deixar o cargo.




