A líder da oposição venezuelana María Corina Machado, Prêmio Nobel da Paz, reapareceu na Venezuela neste domingo, pela primeira vez desde dezembro. Ela voltou do exílio em um momento em que crescem as dúvidas sobre o futuro democrático do país e sobre a atuação dos Estados Unidos. Machado anunciou a chegada nas redes sociais com a frase "Estou aqui. Com vocês."

Segundo a agência AP, ela entrou em uma igreja na localidade de Lara, a oeste de Caracas, sob aplausos de dezenas de apoiadores, que a cumprimentaram e filmaram sua chegada com celulares. Outro líder da oposição, Edmundo González, afirmou nas redes que se juntaria a ela em breve.

Contexto político

Desde a deposição de Nicolás Maduro por militares dos Estados Unidos, o país é governado de forma interina por Delcy Rodríguez, aliada de longa data de Maduro. Ela deveria ficar no cargo por 90 dias, mas continua no poder, e não há eleição marcada. A Assembleia Nacional, controlada pelo partido governista, nunca votou a prorrogação do mandato.

Machado foi detida brevemente em janeiro de 2025, após um protesto contra a posse de Maduro, e passou 11 meses escondida na Venezuela. Em 2024, ela venceu as primárias da oposição, mas o governo a impediu de concorrer. Edmundo González foi o candidato, e a oposição afirma ter provas de que ele venceu Maduro, mas o Conselho Nacional Eleitoral declarou o chavista vencedor.

Segundo a AP, Machado tentou retornar ao país sete vezes sem sucesso. Em uma das tentativas, o operador de um barco cancelou a viagem, alegando que a embarcação não estava apta à navegação. Em outra, o avião que a levaria a Curaçao não recebeu autorização de pouso. A oposição acusa o governo venezuelano de bloquear sua volta, acusação negada pelas autoridades do país. Há ainda quem questione se o governo americano também interferiu.

O que ainda não se sabe

Autoridades do governo Trump negam que estejam retendo Machado, mas admitiram que, em algumas ocasiões, a aconselharam a não voltar por razões de segurança. Questionado sobre o retorno, o presidente Donald Trump disse não saber de nada, mas afirmou esperar que ela esteja segura.

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a Venezuela precisa estabilizar a economia e reconstruir suas instituições, incluindo tribunais e o conselho eleitoral, antes de uma nova eleição. Também disse que Machado tem direito de entrar no país quando quiser. Ainda não há data para a votação presidencial, e não está claro quando Rodríguez deixará o cargo.