O senador Flávio Bolsonaro (PL) não reconheceu a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e anunciou que vai pedir a anulação da eleição. Lula obteve 51,79% dos votos, contra 48,21% do adversário, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.

Flávio classificou o resultado como inaceitável e usou a palavra "sacanagem" para descrever a situação. Segundo ele, a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar o horário de votação em duas horas em todo o país inviabilizou o reconhecimento do pleito. A medida atendeu a um pedido do PT, que alegou falta de ônibus em diversas cidades para o deslocamento de eleitores.

A decisão foi divulgada um minuto depois das 17h, quando milhares de seções já tinham sido fechadas. Mesários e chefes de seção ficaram sem orientação clara, e a divulgação da contagem atrasou duas horas.

O PL, de Flávio, também havia pedido prorrogação em 17 municípios, citando chuvas e alagamentos. Depois, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, referendou a medida de Zanin. Ao anunciar o resultado, ele afirmou que a segurança do processo não foi comprometida e que o tribunal cumpriu a decisão nos termos em que foi proferida.

Contexto

Em 2022, após perder o segundo turno, Jair Bolsonaro também evitou reconhecer a derrota. Ele foi depois condenado pelo STF por liderar uma trama golpista, que incluiu os ataques de 8 de janeiro de 2023, e recebeu pena de 27 anos de prisão. Flávio herdou a liderança política do clã.

Antes da divulgação do resultado final, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já havia afirmado que o grupo não aceitaria uma derrota. Para o cientista político Oliver Stuenkel, a recusa de Flávio tem impacto menor que a de seu pai, porque Flávio não controla o governo e não passou meses questionando as urnas eletrônicas antes da votação.

Stuenkel também avaliou que a margem de Lula é ampla demais para que a alegação de irregularidades convença muitos eleitores além da base mais fiel do bolsonarismo.

Ainda não está claro se o PL apresentará o pedido de anulação e com quais argumentos. Também não há detalhes sobre quais seriam os efeitos práticos de uma ação desse tipo.