O Pentágono busca que as principais instalações militares dos Estados Unidos consigam manter operações essenciais por pelo menos 90 dias, cerca de três meses, sem apoio externo. A meta faz parte do plano chamado Fortress America, anunciado pelo Departamento de Defesa no mês passado. Segundo a Fox News, que teve acesso a documentos, cada grande instalação militar no território continental deveria funcionar de forma independente, com acesso a eletricidade, água, combustível e comunicações.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, destacou a necessidade de reduzir a dependência da geração de energia civil. Em declaração à Fox, ele afirmou que, sem eletricidade, as forças perdem comunicações, água, logística e a estrutura básica de comando. O secretário Pete Hegseth já havia defendido a mesma ideia em setembro, ao lançar o programa em uma base de fuzileiros navais na Virgínia.

Entre as soluções citadas estão reatores nucleares portáteis, baterias de grande porte e microrredes capazes de desconectar as bases da rede elétrica civil. O Exército dos EUA, em parceria com o Departamento de Energia e com a Unidade de Inovação em Defesa, já havia firmado contratos com cinco empresas em agosto para instalar mais de 20 microrreatores em bases a partir de 2028, no programa chamado Janus.

O plano não é totalmente novo. Em 2022, o Exército havia fixado a meta de ter microrredes em todas as suas bases até 2035. Em 2024, a Força Aérea previu novas microrredes em 16 instalações até o ano fiscal de 2030, e em maio a Marinha anunciou planos para testar o porta-aviões USS Gerald R. Ford como usina nuclear flutuante.

Ainda não está claro como as bases pretendem manter abastecimento de água, combustível, comunicações e alimentação por tanto tempo. A Fox também não informou se Parnell confirmou explicitamente a meta de 90 dias. Também não se sabe como o programa será financiado nem qual será o cronograma completo de implementação.

O contexto é a vulnerabilidade da rede elétrica civil dos EUA, considerada envelhecida e sujeita a ataques com drones, ciberataques e desastres naturais. Especialistas citados pela TWZ apontam que o custo de criar drones armados caiu, o que amplia o risco. Os microrreatores também enfrentam debates sobre impactos ambientais e riscos de proliferação nuclear.