Segundo o New York Times, citado pelo Observador, os enviados de Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, pediram a Kiev e às capitais europeias que considerem retomar o fluxo de gás russo pela rede de gasodutos ucraniana como parte de um acordo de paz. A lógica seria que Moscou e Kiev ganhariam com o comércio, o que poderia levar a um cessar-fogo.
A reportagem também afirma que representantes dos EUA e da Rússia discutiram a ativação do trecho ainda em funcionamento do Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha. A Casa Branca nega que o tema tenha sido objeto de negociações recentes.
A Ucrânia já vinha defendendo uma trégua. Desde 2025, o presidente Volodymyr Zelensky propõe cessar-fogo abrangente e moratória parcial sobre ataques a infraestruturas de energia e à navegação no Mar Negro. Em junho de 2026, ele sugeriu congelar a linha de frente atual como a forma mais rápida de encerrar a guerra.
Kiev já permitiu o trânsito de gás russo mesmo durante a guerra. O fluxo para a União Europeia e a Moldávia continuou até 1º de janeiro de 2025, com cerca de 15 bilhões de metros cúbicos apenas em 2024. As taxas pagas à Naftogaz somavam cerca de mil milhões de dólares por ano no contrato de 2019 a 2024, valor considerado modesto diante da reconstrução do país.
Para o Kremlin, a proposta teria interesse econômico. As receitas russas com petróleo e gás caíram 23,8% em 2025 e recuaram mais 17,2% de janeiro a setembro de 2026. Ainda assim, o autor do artigo de opinião argumenta que a guerra é movida sobretudo por motivos políticos e ideológicos, e que Vladimir Putin tende a rejeitar propostas econômicas como saída.
Há também um obstáculo legal. Em 26 de janeiro de 2026, o Conselho da União Europeia aprovou regra para eliminar gradualmente o gás russo, com proibição do gás natural liquefeito a partir de 2027 e do gasoduto a partir do outono de 2027. Reativar o fluxo exigiria mudar essa legislação.
Ainda não está claro se Washington tem um plano concreto ou se o tema segue em discussão. Também não se sabe se Moscou aceitaria a ideia sem garantias de segurança à Ucrânia. O texto defende que qualquer cooperação energética só faça sentido depois de um cessar-fogo verificado.




