Os Estados Unidos e a China estão formando blocos próprios em torno da inteligência artificial, e outros países buscam tirar proveito dos dois lados. Especialistas avaliam que a janela para escolher livremente entre as potências está se fechando, o que pode forçar nações a optar entre a Pax Silica, liderada pelos EUA, e a Organização Mundial de Cooperação em IA, inspirada pela China.

O Cazaquistão, país da Ásia Central com cerca de 21 milhões de habitantes, é um exemplo raro de nação que tenta conciliar os dois blocos. Seu ministro de IA visitou Washington em junho para integrar o grupo americano e, três semanas depois, foi a Xangai assinar a adesão do país como membro fundador da iniciativa chinesa.

Recursos e investimentos

Segundo a reportagem, o país recebe investimentos americanos e chineses. Ele tem minerais estratégicos para o setor e eletricidade barata para data centers. Um acordo com a Nvidia, de até 10 bilhões de dólares, prevê a construção de um polo de data centers. Autoridades locais citam investimento direto chinês recorde de 2,8 bilhões de dólares em 2025.

Disputa de influência

O presidente Donald Trump afirmou que quem vencer a corrida pela IA vencerá. Autoridades e empresas americanas acusam a China de extrair capacidades de modelos de ponta dos EUA, prática chamada de destilação. Pequim rejeita as acusações e diz que os EUA buscam um monopólio. O Departamento de Estado americano afirmou que países que apoiam visões concorrentes não podem ser parceiros confiáveis da Pax Silica.

Analistas afirmam que a China precisa cortejar terceiros para montar uma coalizão alternativa, enquanto os EUA já têm uma rede consolidada de aliados. Indonésia e Singapura também avaliam aderir ao grupo chinês. A Arábia Saudita tem acordo com a Nvidia e usa um modelo aberto de uma empresa chinesa. A França tenta seguir caminho próprio com a startup Mistral.

Para o Reino Unido e a Alemanha, que têm capacidade econômica e militar, mas não desenvolvem modelos de fronteira próprios, o alinhamento com Washington pode ser essencial para acessar data centers e chips. Segundo análise do Carnegie Endowment, o acesso desses países à IA depende das decisões tomadas em Washington e Pequim.

Ainda não está claro quanto espaço sobrará para países intermediários. Um pesquisador do Center for Strategic and International Studies afirmou que muitas nações preferem não escolher um lado, mas podem não ter boas opções, já que poucas conseguem construir modelos avançados. Segundo o AidData, a China já financiou projetos de IA em pelo menos 77 países de baixa e média renda.