Os Estados Unidos e o Canadá trabalham em um acordo para reduzir as tarifas americanas sobre aço e automóveis canadenses, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters. Duas pessoas dos EUA e quatro do Canadá, familiarizadas com o tema, confirmaram as negociações.

No centro das conversas estão tarifas de até 50% sobre o aço e de 25% sobre os carros. Uma fonte canadense afirmou que um entendimento é possível antes das eleições legislativas americanas, marcadas para 3 de novembro. O governo americano, porém, pede novas concessões do Canadá.

As negociações são conduzidas, do lado americano, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e, do lado canadense, por Dominic LeBlanc. O ministério canadense disse estar em diálogo construtivo e disposto a uma relação comercial vantajosa para ambos os países.

Contexto do conflito

A relação comercial entre os vizinhos está tensa há meses. As conversas fracassaram em agosto, e desde então os dois países vivem um impasse. Em agosto, os EUA impuseram tarifas de 50% sobre produtos canadenses no valor de 27,6 bilhões de dólares canadenses.

Em resposta, o Canadá aplicou, no início de setembro, tarifas retaliatórias de 15%, 25% ou 50% sobre produtos americanos de valor equivalente. Na mesma época, o presidente Donald Trump determinou a proibição de importação de laticínios, bebidas alcoólicas e motocicletas canadenses, em uma escalada adicional.

Em 23 de outubro, o Wall Street Journal informou que Washington poderia suspender tarifas sobre alguns produtos agrícolas e florestais canadenses, com o objetivo de apoiar republicanos em estados do norte. A senadora Susan Collins informou que nove categorias de produtos, entre elas mirtilos, batatas e maçãs, ficariam isentas. A Casa Branca afirmou que qualquer anúncio partiria do governo.

Ainda não está claro se o acordo será fechado antes da votação, nem quais produtos seriam afetados. Também não há detalhes sobre eventuais compensações, como a elevação de tarifas sobre outros itens canadenses, mencionada em relatos da imprensa.