As eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, foram lidas por analistas como um recado sobre inteligência artificial e sobre a construção de data centers. Candidatos que defenderam mais regras para a IA e a desaceleração das obras venceram disputas importantes, inclusive em estados tradicionalmente republicanos.

Pesquisa de boca de urna da NBC indicou que 57% dos eleitores acreditam que a IA fará mais mal do que bem à sociedade. Além disso, 56% disseram que a tecnologia foi um fator crucial ou importante na hora de definir o voto. Em muitos casos, o eleitorado apoiou candidatos, em sua maioria democratas, que prometeram conter o avanço da IA.

O resultado ocorreu mesmo com forte gasto de empresários do setor de tecnologia. Segundo a reportagem, Elon Musk, Marc Andreessen, Ben Horowitz e Greg Brockman, cofundador da OpenAI, e sua esposa, Anna, investiram mais de meio bilhão de dólares em apoio a republicanos.

A oposição aos data centers é o ponto mais visível desse movimento. Segundo o Pew Research Center, mais de 1.500 data centers estão em desenvolvimento nos EUA, somados a mais de 3.000 instalações já em operação. Pesquisas anteriores às eleições mostraram que mais de dois terços dos americanos são contra a construção local desses prédios, e pelo menos 15 estados discutiram moratórias.

Na terça-feira, 41 medidas locais que restringiriam a construção de data centers foram votadas em 10 estados. Em todos os casos, exceto um, o eleitorado votou contra os data centers, segundo a CNBC.

No Texas, o governador republicano Greg Abbott foi derrotado por Gina Hinojosa, que defende uma moratória imediata às novas obras. Em Ohio, o democrata Sherrod Brown venceu o republicano Jon Husted, a quem chamava de rosto dos data centers. Na Carolina do Sul, Annie Andrews também venceu uma disputa para o Senado.

Ainda não está claro qual será o formato da regulação. Há consenso entre democratas sobre a necessidade de regras para a IA, mas as propostas variam. Estados como Nova York, Califórnia e Illinois já discutem leis próprias, e a expectativa de especialistas é que medidas testadas pelos estados avancem em Washington. Analistas também afirmam que o debate deve ir além dos data centers, com foco em poder corporativo das big techs.