Republicanos e democratas dos Estados Unidos chegam a um momento de definição antes da votação de terça-feira, 3. Após cerca de uma década de influência de Donald Trump sobre o Partido Republicano, o presidente, de 80 anos, pode ver seus eleitores se afastarem, o que levaria a direita a rever a lealdade total a ele no fim do mandato.

Já o Partido Democrata, apesar do ganho de força nas eleições recentes, segue com baixa popularidade. A legenda caminha para um confronto interno entre lideranças tradicionais e uma ala progressista que defende mudanças profundas.

Segundo a reportagem, o resultado das urnas marcará o início de uma disputa pelo futuro político do país, no fim da era Trump. O tema deve ganhar espaço na política americana quando os novos parlamentares chegarem a Washington e a corrida presidencial de 2028 começar a ganhar força.

No Partido Republicano, o ex-senador John Sununu, que disputa uma vaga no Senado por New Hampshire, questionou o que virá depois de Trump. Para analistas citados, a principal força unificadora da legenda hoje é o próprio presidente, e não um conjunto de princípios. A doutrina de Ronald Reagan, que combinava conservadorismo fiscal, valores sociais conservadores e política externa assertiva, perdeu espaço para um populismo que muda conforme as posições de Trump.

Entre os nomes cotados para 2028, o vice-presidente J.D. Vance aparece em primeiro lugar. Também são citados o secretário de Estado Marco Rubio, o senador Ted Cruz, o governador da Flórida Ron DeSantis e o ex-governador de New Jersey Chris Christie, que avalia voltar à política.

Entre os democratas, a cúpula espera bons resultados na votação, mesmo sem garantia de maioria nas duas Casas do Congresso. O deputado Hakeem Jeffries pode se tornar o primeiro presidente negro da Câmara dos Deputados, caso o partido conquiste a maioria. Parte da ala progressista, porém, considera que Jeffries e o líder no Senado, Chuck Schumer, fazem parte do problema e pede mudanças nas lideranças e nas diretrizes.

A presença de socialistas ligados à organização Socialistas Democratas da América (DSA) deve crescer na Câmara, de dois para pelo menos sete integrantes, segundo a reportagem. O governador de Maryland, Wes Moore, que disputa a reeleição, defendeu um partido com senso de urgência, mas evitou dizer se vê com bons olhos a presença da DSA.

Ainda não está claro como o partido vai conciliar a ala ativista com a liderança tradicional, nem quais táticas usará contra Trump no Congresso. Trump, por sua vez, seguirá no cargo por mais dois anos, independentemente do resultado, e deve continuar influente na disputa presidencial.