Eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na terça-feira para escolher os 435 deputados da Câmara e 35 dos 100 senadores. Também estão em disputa governos de 36 estados e milhares de cargos locais. As pesquisas indicam que o Partido Democrata pode dominar o Congresso.
A eleição ocorre dois anos após Donald Trump ter sido reconduzido à Casa Branca. Desde 1936, o partido que está no poder perdeu a Câmara ou o controle de ao menos uma das Casas do Congresso em 20 das 22 ocasiões. Trump enfrenta impopularidade crônica, e pesquisas recentes mostram que mais de 60% dos americanos reprovam as políticas econômicas e o custo de vida.
Entre os temas da campanha estão a inflação, a guerra contra o Irã, que tem desaprovação média de 63%, a expansão dos data centers e a política tarifária. Segundo a reportagem, o presidente afirmou que não há inflação, em contraste com os números oficiais.
O que pode mudar em Washington
Projeções de institutos e portais de análise apontam que a oposição deve assumir a Câmara a partir de 2027 e tem chances no Senado, mas sem a maioria necessária para aprovar um impeachment. Com o controle do Legislativo, os democratas poderiam bloquear ou atrasar indicações para cargos de alto escalão e acionar investigações sobre o governo.
O controle do orçamento também seria uma ferramenta relevante. Analistas avaliam que o financiamento extra para a guerra no Irã e o orçamento recorde do Pentágono, de US$ 1,5 trilhão, correm risco. Já o apoio a Kiev, na Ucrânia, é majoritário até entre os republicanos, e a oposição poderia autorizar novos pacotes de ajuda.
Ainda não se sabe se Trump aceitará o resultado. Ele disse a jornalistas que reconheceria a derrota desde que o processo fosse honesto, mas aliados têm dúvidas. Em 2020 ele não aceitou a vitória de Joe Biden, e em 2021 apoiadores invadiram o Capitólio. A resposta do presidente pode definir a próxima crise institucional do país.




