Duas campanhas eleitorais em reta final voltaram a aumentar o temor de uma retomada das hostilidades em larga escala no Oriente Médio, em uma guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo a reportagem do Correio Braziliense, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar a República Islâmica após quase oito meses de conflito sem resultados militares visíveis.

O premiê Benjamin Netanyahu enfrenta eleição nesta terça-feira (27/10) e, segundo a publicação, teria apresentado a Trump um plano concreto de ataque, vetado pela Casa Branca. Trump afirmou no fim de semana que o conflito poderia terminar rapidamente, mas questionou se deveria dar um golpe final ou deixar a situação se arrastar. Ele também enviou mais um porta-aviões à região e sinalizou o envio de outra unidade de fuzileiros navais.

Visitas recentes do secretário de Defesa Pete Hegseth a Netanyahu e relatos de voos israelenses próximos ao espaço aéreo iraniano, em exercícios conjuntos com forças americanas, reforçaram a percepção de preparação militar. O embaixador dos EUA na Turquia, Tom Barrack, admitiu a possibilidade de ataque nos próximos dias, enquanto a analista Suzanne Maloney, da Brookings Institution, considera mais provável uma ação logo após as eleições legislativas de 3 de novembro.

Limites militares e políticos

Para Gunther Rudzit, professor da ESPM, Trump tende a evitar a escalada antes de uma votação que pode colocar em risco as maiorias republicanas na Câmara e no Senado. Ele ressalta que planejar uma ofensiva é diferente de decidir atacar. Já Roberto Goulart Menezes, da UnB, avalia que o anúncio de um possível ataque serve para desviar a atenção do eleitorado de problemas domésticos.

Do ponto de vista militar, os especialistas afirmam que EUA e Israel ainda podem conduzir uma campanha aérea intensa, mas enfrentam pressão sobre estoques de armamentos, sobretudo de interceptadores de mísseis balísticos. A duração de um conflito prolongado é apontada como a principal incógnita.

O Irã, segundo os analistas, tem explorado uma estratégia assimétrica, com capacidade de afetar o fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz e de atingir alvos em países vizinhos aliados aos EUA. Esses países têm pressionado Washington diante dos custos econômicos dos bombardeios.

Ainda não está claro se uma eventual ofensiva teria resultado político positivo para os líderes envolvidos. A reportagem indica que o desfecho dependerá da duração do conflito e de seus custos para as populações, e que a decisão de atacar ainda não foi tomada publicamente.