Mais de 200 milhões de americanos estão aptos a votar nesta terça-feira (3) para escolher parte do Congresso. Donald Trump não aparece na cédula, mas a eleição de meio de mandato virou um termômetro de seu governo. Os eleitores devem responder a temas que dominaram a campanha, como custo de vida, guerra no Irã, imigração e a regulação das grandes empresas de tecnologia.

Estão em disputa os 435 assentos da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e 36 governos estaduais. Há ainda mais de 140 propostas locais sobre temas como aborto, porte de armas e regras eleitorais.

A tendência é de derrota republicana na Câmara. O Cook Political Report projeta, com diferentes graus de confiança, até 222 vitórias democratas, enquanto a maioria exige 218 cadeiras. Segundo o levantamento, há ainda 18 disputas empatadas. O partido do presidente sofre com a popularidade de Trump, que está em mínima histórica, e com o custo de vida elevado, que analistas associam a decisões defendidas por ele, como o conflito no Oriente Médio e as tarifas.

Disputa acirrada no Senado

No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras. Os democratas precisam de 51 para a maioria, já que, em caso de empate, o vice-presidente J.D. Vance daria o voto decisivo ao partido dele. Hoje, o campo democrata soma 47 assentos, contando dois independentes que costumam votar com eles. Para vencer, o partido precisa conquistar quatro estados e manter todas as cadeiras que já ocupa. O Cook considera mais provável a derrota republicana apenas na Carolina do Norte.

Presidentes costumam perder o comando do Congresso em eleições de meio de mandato, que funcionam como uma espécie de referendo sobre o governo. Só houve exceções relevantes em 1934, com Franklin D. Roosevelt, em 1998, com Bill Clinton, e em 2002, com George W. Bush, este último após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Ao longo do ano, o governo Trump tentou influenciar o resultado por meio do Executivo e do Judiciário. Ele afirmou, sem provas, que as eleições são fraudadas. Sua administração pediu listas de eleitores aos estados e tentou alterar regras do voto por correio, sem sucesso. No Alasca, o governador republicano Mike Dunleavy determinou uma investigação sobre suspeitas de que democratas incentivaram um candidato independente com nome parecido ao de um concorrente republicano, após reportagem do New York Times.

O que ainda não se sabe

Até a tarde de segunda-feira (2), o Election Lab, da Universidade da Flórida, havia computado mais de 57 milhões de votos antecipados. Eleitores registrados como democratas votaram em proporção maior que os republicanos, com 42,9% contra 31,7%. Também não está definido se Trump reconhecerá eventuais derrotas. Ele disse que respeitará os resultados desde que sejam honestos. Como os EUA têm quatro fusos horários e os horários de votação variam por estado, a apuração final pode se estender pela noite.