O ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman avalia que não deve haver uma guinada para melhor na economia no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao Estadão, ele afirma que o país precisa de um ajuste fiscal profundo, que exige mudança significativa na política econômica.

Segundo o economista, esse ajuste passaria por mudanças na política de salário mínimo, uma nova reforma da Previdência, alterações nas regras de acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), revisão dos programas sociais, fim da indexação dos pisos constitucionais de saúde e educação e reforma administrativa. Ele também cita o fim das emendas parlamentares como medida necessária.

Para Schwartsman, o problema não está apenas na escolha do ministro da Fazenda. Ele afirma que faltam condições políticas para executar o ajuste e que não vê convicção do presidente sobre a necessidade de equilibrar as contas públicas. Citando a experiência do governo Dilma Rousseff, ele diz que o problema central é a falta de apoio político.

No câmbio e nos juros, o economista projeta pressão maior. O dólar chegou a R$ 5,60 na segunda-feira, 26, e recuou em seguida, mas deve seguir pressionado. Para ele, a desvalorização do real tende a elevar a inflação, o que dificulta a continuidade dos cortes da Selic.

A Selic está em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga sua decisão na quarta-feira, 4 de novembro. Schwartsman afirma que o BC deve interromper o ciclo de queda, e que o custo de tomar dívida de longo prazo pode subir de forma relevante.

Ainda não está claro quais medidas o governo adotará diante da piora do cenário, nem se haverá pressão suficiente para que isso ocorra. Para o economista, o risco de uma crise semelhante à enfrentada no governo Dilma é o principal perigo atual.