O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito após uma virada considerada surpreendente no domingo, 25. Logo após o resultado, o dólar subiu com força no mercado futuro, as taxas de juros também avançaram e os índices que simulam a Bolsa brasileira caíram de forma acentuada.
Segundo a análise publicada pelo Estadão, o movimento é uma correção forte nos preços dos ativos. Parte do mercado financeiro havia apostado na vitória de Flávio Bolsonaro, candidato do PL, e ajustou posições após o resultado das urnas.
O risco, segundo a análise, é que essa piora nas expectativas trave o ciclo de queda dos juros conduzido pelo Banco Central. Há inclusive a possibilidade de alta da taxa Selic caso o cenário se deteriore ainda mais. Como os sinais de desaceleração do PIB já aparecem com clareza, o país ficaria perto de uma recessão.
O que o mercado espera do governo
A análise afirma que Lula precisa sinalizar com força o compromisso com o ajuste fiscal, e que essa garantia não pode depender apenas da escolha de nomes para a equipe econômica. O mercado deve acompanhar de perto quem comandará a Fazenda e o Planejamento.
Entre os nomes citados, o vice-presidente Geraldo Alckmin é visto como bem relacionado com investidores. Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, também seria bem avaliado pelo mercado, mas sua saída abriria a necessidade de indicar um novo comandante para a política monetária, em um momento em que o BC já tem duas diretorias vagas.
A manutenção de Dario Durigan na Fazenda e de Bruno Moretti no Planejamento seria interpretada como continuidade da política econômica atual, o que tende a dificultar a reversão das expectativas. A análise também lembra que o terceiro mandato de Lula começou com aumento de gastos pela PEC da Transição e que o presidente fez muitas promessas econômicas durante a campanha.
Ainda não se sabe qual caminho o governo adotará na agenda de gastos nem se Lula estará disposto a rever a rota para conter a alta da dívida pública. A resposta a essas questões deve definir se a reação do mercado se estabiliza ou se a economia real passa a sentir os efeitos da turbulência.




