Em coluna publicada na Folha de S.Paulo, o economista Samuel Pessôa afirma que a baixa produtividade é a principal derrota da Nova República. Ele usa como ponto de partida uma pesquisa do canal Meio. Segundo os dados citados, 65,4% dos eleitores de Lula dizem que melhorar de vida significa ter carteira assinada pela CLT, ante 30,2% dos eleitores de Flávio Bolsonaro. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 62,3% associam a melhora de vida a ter o próprio negócio, percentual que cai para 33,5% entre os eleitores de Lula.
O colunista cita o observatório da produtividade Regis Bonelli, do FGV Ibre. Entre 1985 e 2025, a produtividade por hora trabalhada no Brasil cresceu 0,8% ao ano. Nos Estados Unidos, no mesmo período, o ritmo foi de 2% ao ano. Em termos acumulados, a alta foi de 40% no Brasil e de 123% nos EUA.
Estabilização e ritmo lento
Segundo o texto, a primeira década da Nova República, entre 1985 e 1994, foi consumida pela estabilização da economia. Entre 1995 e 2025, a produtividade por hora trabalhada subiu 31%, o que equivale a 0,9% ao ano. Para o autor, os números desse período também não são bons.
Pessôa aponta dois fatores principais. O primeiro é a baixa qualidade da escola pública de ensino fundamental. Ele afirma que metade das diferenças de produtividade entre economias ricas e pobres se explica por habilidades cognitivas e socioemocionais, adquiridas na escola. O segundo é o marco legal, sobretudo tributário, trabalhista e judicial, que deveria levar capital e trabalho para as empresas mais produtivas, em vez de manter negócios ineficientes funcionando.
No campo tributário, o colunista critica regimes especiais como o MEI, o Simples e o lucro presumido, que, segundo ele, só têm crescido e subsidiam empresas pequenas e pouco eficientes. Ao mesmo tempo, o texto diz que a política tem ampliado esses regimes. O autor conclui que, pelo tom da atual campanha eleitoral, não há sinal de melhora no horizonte. A coluna não apresenta projeções para os próximos anos.




