Os eleitores que votam neste domingo decidem também os rumos financeiros do país, além do novo ocupante do Palácio do Planalto. As candidaturas principais apresentam visões muito distintas para reorganizar as contas públicas, controlar a inflação e retomar o crescimento a partir do próximo ano.

De um lado, a campanha ligada a Luiz Inácio Lula da Silva defende a continuidade da estratégia atual. O programa prevê investimentos públicos em grande escala, financiamento de projetos de longo prazo por instituições estatais e a manutenção de programas de transferência de renda.

Essa vertente também aposta na valorização real do salário mínimo, medida que aumenta o poder de compra das famílias, mas eleva os gastos obrigatórios. Segundo o grupo, o crescimento da economia vai gerar receita suficiente para equilibrar as contas de forma gradual, sem cortes drásticos em áreas sociais.

Na direção oposta, a candidatura de Flávio Bolsonaro propõe reduzir o tamanho e a rigidez do Estado. O plano inclui fusão e extinção de ministérios, além de um programa amplo de privatizações, concessões e venda de ativos federais.

O eixo central dessa proposta é um corte profundo nas despesas primárias logo no início do mandato. A equipe responsável argumenta que um governo menor abriria espaço para redução de impostos, simplificação de regras e estímulo à iniciativa privada.

Herança fiscal

Projeções de órgãos técnicos indicam que o próximo governo começará com o Orçamento muito engessado. Como as despesas obrigatórias consomem a maior parte dos recursos federais, sobra pouco espaço para decisões discricionárias.

Medidas de forte impacto orçamentário aprovadas no fim da legislatura atual também aumentam essa rigidez. Análises da Instituição Fiscal Independente apontam projeções de déficit que podem exigir bloqueios preventivos de verbas ou a revisão de políticas públicas para cumprir as metas fiscais em vigor.

Ainda não está definido qual dos modelos será adotado, nem em que medida as propostas serão aplicadas. A fonte não detalha valores de corte, prazos de privatização nem o tamanho do eventual déficit.