Uma delegação de eurodeputados viaja à China entre terça e quinta-feira para pressionar Pequim a negociar um acordo comercial mais abrangente com a Comissão Europeia. O grupo também afirma que a UE pode aplicar medidas de retaliação se as conversas não avançarem. A delegação deve visitar Pequim, Hangzhou e Xangai e se reunir com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao.
O déficit comercial europeu com a China atingiu, em 2025, o equivalente a mil milhões de euros por dia, segundo alertas de autoridades europeias. Em um briefing em Estrasburgo, o eurodeputado alemão Bernd Lange, que lidera a missão, disse que o desequilíbrio cresceu de forma acentuada nos últimos dois anos.
Lange atribuiu a alta não apenas aos carros híbridos, mas também a restrições chinesas à exportação e a práticas desleais, como subsídios a produtos nos setores químico e de maquinaria. Ele citou ainda uma majoração de 20% sobre propostas de empresas europeias em contratos públicos na China.
O avanço mais recente veio no início do mês, quando o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, esteve em Pequim. Na ocasião, a China aceitou reduzir de forma significativa as exportações de automóveis híbridos para o bloco. Os eurodeputados classificaram a medida como um primeiro passo positivo e querem que ela leve a negociações formais.
Ameaça de retaliação
O eurodeputado francês Pascal Canfin, que também integra a delegação, afirmou que a missão tem duas frentes: o diálogo, para fechar um acordo concreto no curto prazo, e a demonstração de que a UE pode agir se as negociações falharem. Segundo ele, a estratégia depende dessa capacidade de resposta.
Os dois parlamentares destacaram uma proposta conjunta de França e Alemanha, apresentada no início do mês, para criar um mecanismo de emergência contra práticas comerciais desleais de países terceiros. O texto não cita nenhum país, mas o alvo é a China. Canfin disse que Pequim analisou o documento e percebeu que o tema passou a ser tratado com seriedade.
A UE depende da China em insumos críticos, como matérias-primas essenciais. Canfin, porém, observou que a economia chinesa depende das exportações para crescer e, por isso, também precisa do acesso ao mercado europeu. Para ele, uma posição unida do bloco aumenta a força negociadora.
Ainda não está definido se a China aceitará um acordo abrangente. A meta citada pelos eurodeputados é concluí-lo até março, quando está prevista nova reunião do Conselho de Comércio e Investimentos UE-China. Também não há detalhes sobre quais instrumentos de retaliação seriam acionados.




