O presidente Lula foi reeleito e contrariou a aposta de parte dos investidores, que consideravam mais provável a vitória de Flávio Bolsonaro. Antes do resultado, a bolsa brasileira havia subido e chegou a superar 200 mil pontos, o real se valorizou e os juros futuros recuaram. Analistas esperam um início de semana turbulento, com pressão sobre ações, câmbio e curva de juros.
Luiz Forjaz, CIO da Legend Wealth, afirmou que o cenário-base dos investidores atribuía cerca de 80% de chance à vitória de Flávio Bolsonaro. Com isso, posições montadas para uma troca de governo e uma agenda econômica mais liberal devem ser revistas. Alexandre Vasarhelyi, da B2V Crypto, avalia que o mercado pode devolver parte relevante do ganho recente.
O principal ponto de atenção é a situação das contas públicas. Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, disse que a continuidade do atual governo tende a elevar a preocupação fiscal. Forjaz considera mais provável um esforço para aumentar receitas do que um corte expressivo de despesas, mantendo o arcabouço atual. Já Gustavo Sung, da Suno Research, espera um ajuste fiscal mais moderado do que o que ocorreria sob um governo Flávio Bolsonaro, o que pode manter a inflação mais persistente.
Como ficam renda fixa e bolsa
Na renda fixa, títulos prefixados de vencimento longo e papéis atrelados à inflação podem ficar mais vulneráveis, já que se beneficiaram da expectativa de um ajuste fiscal mais forte. Os pós-fixados tendem a ganhar espaço como parte mais defensiva da carteira. Na bolsa, exportadoras podem se beneficiar de um real mais fraco. Forjaz citou Embraer, JBS, São Martinho e PRIO como exemplos, enquanto empresas mais sensíveis às taxas de longo prazo podem sofrer com o custo de capital maior.
Ainda não se sabe quem comandará o Ministério da Fazenda, qual será o compromisso do governo com as contas e como ficará a proposta de Orçamento para 2027. A relação com o Congresso, que deve ter perfil mais inclinado à direita, também será observada. Kawauti lembrou que há duas vagas abertas na diretoria do Banco Central desde janeiro e outras duas que vencem em 2027, o que pode alterar a composição do Copom.




