O dólar recuou nesta terça-feira (27), em movimento de correção após a maior valorização diária desde 1999. Na segunda-feira (26), a moeda americana subiu 8,41%, fechando a R$ 5,409, depois da reeleição do presidente Lula (PT) para um quarto mandato.
No mesmo dia, a Bolsa brasileira fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, a maior desvalorização diária desde março de 2020. A magnitude do recuo levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde aquele período.
Os juros futuros também dispararam na segunda-feira. A taxa do contrato para janeiro de 2031 avançou 254 pontos-base, para 15,190%. Na terça, porém, as taxas recuavam, com o dólar cotado a R$ 5,342 por volta das 13h.
Segundo analistas, os investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), e o resultado surpreendeu o mercado. A expectativa é de uma política fiscal menos rigorosa no novo governo Lula, o que eleva o prêmio de risco exigido para financiar o Estado.
Tesouro atua para conter juros
Para conter a disparada dos juros futuros, o Tesouro Nacional recomprou títulos do mercado. Na segunda-feira, a operação somou R$ 7,1 bilhões. Na terça, o órgão anunciou recompra de títulos IPCA+ e cancelou leilões de Tesouro Selic.
Instituições financeiras revisaram suas posições. O J.P. Morgan rebaixou a recomendação para o real e para os títulos públicos brasileiros. O BTG Pactual disse esperar venda expressiva de ações e projetou desvalorização de 10% a 15% do real.
Na Bolsa, ações de varejistas, empresas de saúde e bancos ganharam força na terça, em movimento de recuperação. Magazine Luiza e Hapvida, que tiveram as maiores quedas na véspera, subiram cerca de 7% cada.
Ainda não está claro como o novo governo conduzirá a política fiscal nem quais medidas serão adotadas. Analistas afirmam que a trajetória do dólar e da Bolsa no médio prazo dependerá dessas sinalizações, e que o cenário pode mudar conforme as decisões do governo eleito.




