Uma mudança em discussão no Congresso propõe adotar o voto distrital misto nas eleições para deputado federal a partir de 2030. Pelo modelo, a forma de escolha dos parlamentares seria alterada, com impacto sobre candidatos que recebem votos em regiões diferentes dos estados.
Em Santa Catarina, levantamento do NSC Total com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral mostra que parte dos 16 deputados federais eleitos no último pleito recebeu votos espalhados por mais de uma região do estado. Esses parlamentares seriam os mais afetados caso a proposta avance.
No modelo proposto, cada estado seria dividido em quatro distritos. Eleitores de cada distrito votariam apenas em candidatos da sua região. Metade das vagas seria ocupada pelos mais votados e a outra metade por uma lista definida antecipadamente pelos partidos.
Hoje o país usa o sistema proporcional, em que a eleição depende do total de votos de cada candidato e de seu partido. A definição passa pelo quociente eleitoral, que estabelece quantos votos são necessários para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Entre os eleitos catarinenses, o caso mais concentrado é o do deputado Sargento Lima (PL), com quase metade dos votos vindos de Joinville, sua base. Já a deputada Júlia Zanatta (PL), a mais votada do estado com 560 mil votos, teve desempenho relevante em cidades de outras regiões, como Florianópolis, Blumenau e Criciúma. Com o distrito, ela precisaria concentrar votos na própria região.
Os defensores da mudança, entre eles o presidente da Câmara, Hugo Motta, e partidos do Centrão, citam a intenção de reduzir o efeito dos chamados puxadores de votos e de influenciadores que atraem votações amplas em várias regiões. Segundo o professor Daniel Pinheiro, da Udesc, o modelo tenderia a baratear campanhas, ao concentrar o esforço em um território, mas exigiria mudança de estratégia dos candidatos.
Ainda não há detalhes sobre como seriam desenhados os distritos em cada estado. Também não está definido se a proposta será aprovada, e o professor avalia que parlamentares com grandes votações podem resistir à mudança, o que pode levar a um modelo de equilíbrio ainda a ser discutido.




