As votações de Nikolas Ferreira (PL-MG), com 3,12 milhões de votos, e de Lucas Pavanato (PL-SP), com 3,03 milhões, recolocaram em pauta o voto distrital misto, modelo usado na Alemanha. A discussão ganhou força depois que os dois deputados levaram consigo parte dos votos de seus partidos e de outras legendas.
No Senado, em 2017, foram aprovados dois projetos que instituíam o voto distrital misto para vereadores, deputados estaduais, distritais e federais. As propostas, de José Serra (PSDB-SP) e de Eunício de Oliveira (MDB-CE), seguiram para a Câmara dos Deputados, onde outras variações, como o Distritão, também tramitaram.
Na eleição de 2026, dez dos 13 deputados federais reeleitos pelo PL tiveram menos votos do que em 2022. Greyce Elias caiu de 110.346 para 66.395 votos, e Cabo Junio Amaral foi de 59.277 para 33.762. Segundo a reportagem, parlamentares de outras legendas só se reelegeram porque passaram a atuar em novas cidades ao longo do mandato.
Pelo sistema atual, o proporcional de lista aberta, o eleitor escolhe qualquer candidato do estado e as cadeiras são distribuídas a partir do quociente eleitoral e partidário. O modelo distrital misto dividiria cada estado em distritos, com um voto para o candidato local e outro para o partido, que monta a lista.
Dirigentes favoráveis à mudança dizem que o novo modelo tende a reduzir a força de candidatos puxadores de voto. Partidos de esquerda costumam rejeitar a proposta, pois, segundo eles, ela reduz a representação da diversidade da sociedade, já que no distrito só o mais votado é eleito.
Ainda não há definição sobre o texto que será votado. Também não está claro qual será o desenho final do sistema, nem como os partidos montariam as listas do segundo voto, ponto que críticos consideram vulnerável ao controle de caciques partidários.




