Testes de idade biológica comparam o estado do organismo com a idade cronológica da pessoa. A proposta é indicar se o corpo envelhece mais rápido ou mais devagar que o esperado para a idade. Pesquisadores de longevidade passaram a usá-los para identificar comportamentos e condições que aceleram o envelhecimento e para testar intervenções que possam desacelerá-lo.

Os exames foram criados para uso em laboratório, mas empresas de bem-estar e longevidade passaram a vendê-los diretamente ao público, por alguns centenas de dólares. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal New York Times, os resultados variam conforme o teste e nem sempre dizem algo útil sobre a saúde individual.

Como os testes funcionam

A maioria dos testes analisa modificações no genoma chamadas metilação do DNA, que influenciam se um gene está ativo. O primeiro modelo conhecido, o relógio de Horvath, surgiu em 2013. Ele estima a idade com base nesses padrões. Modelos de segunda geração, como PhenoAge e GrimAge, relacionam os sinais ao risco relativo de morte. Os de terceira geração, como o DunedinPACE, medem a velocidade do envelhecimento.

Segundo um pesquisador de Harvard citado na reportagem, as versões mais recentes respondem melhor a intervenções como dieta e medicamentos. Em um estudo com 16 testes, os de segunda e terceira geração mudaram com mais frequência nessas situações.

Limitações

Horário da refeição, horas de sono e outros fatores do dia podem alterar o resultado. Testes diferentes aplicados à mesma pessoa dão respostas distintas, em parte porque medem coisas diferentes e foram calibrados com bases de dados distintas. Um dos criadores do PhenoAge recomendou não dar muito peso ao número obtido.

Outra crítica é que a análise usa apenas células brancas do sangue. Por isso, não reflete mudanças em neurônios, células do fígado ou do pâncreas. Alguns pesquisadores estudam proteínas liberadas por diferentes tecidos, abordagem mais cara e ainda pouco acessível ao público. Um epidemiologista holandês ressaltou que os testes indicam a idade, mas não apontam o que está causando o envelhecimento nem como corrigi-lo.

Uso em pesquisa e para o consumidor

Para a ciência, os testes podem medir em pouco tempo se uma intervenção em ensaio clínico desacelera o envelhecimento, algo difícil de verificar acompanhando pessoas por décadas. Em um estudo com suplementos, a intervenção reduziu alguns relógios biológicos, mas não alterou indicadores como pressão arterial. Um dos pesquisadores levantou a hipótese de que os testes captam alterações sutis que surgem antes de sinais clínicos de doença.

Para o consumidor, a maioria dos especialistas avalia que exames de rotina, como colesterol e glicose, oferecem um quadro mais útil. Um pesquisador afirmou que o teste pode ajudar a acompanhar mudanças ao longo dos anos, mas um exame isolado tem pouco valor. Ainda não se sabe se os testes futuros cumprirão a promessa de prevenção personalizada.