Segundo análise publicada pelo Clarín, o governo de Javier Milei já considera que terá de chegar às eleições presidenciais sem o apoio direto que recebeu de Donald Trump no ano passado. A derrota do aliado nos Estados Unidos reduziu o espaço político do secretário do Tesouro, Scott Bessent, para comprar pesos e conter uma alta do dólar.
Com os democratas controlando as duas casas do Congresso americano, um anúncio parecido com o feito em 2025 tende a provocar convocações da oposição para explicações. Integrantes da campanha governista acompanharam a apuração até a madrugada, mesmo sabendo que o resultado não seria favorável.
Na economia, o ministro Luis Caputo teria deixado claro ao setor político que Milei não abrirá mão da meta de superávit fiscal, da restrição à emissão monetária e da âncora cambial. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal, apenas mudanças pontuais estão previstas, como o alívio para pequenas empresas endividadas.
O governo aposta na continuidade da lenta recuperação do salário frente à inflação e em preços favoráveis às exportações argentinas. Para a reportagem, o poder de compra das famílias pesa mais nas urnas, enquanto o acesso a dólares é considerado essencial para enfrentar uma eventual corrida cambial antes da votação.
Na política, o mileísmo deve chegar ao próximo ano com poucos candidatos próprios com chances de se tornar governadores. Por isso, acordos com setores ligados ao partido La Libertad Avanza e com a oposição moderada ganham peso, embora ainda não esteja definido com quem nem em que condições.
Há ainda a dúvida sobre a senadora Patricia Bullrich, chefe da bancada do partido no Senado. Dirigentes próximos a Karina Milei afirmaram que ela cruzou uma linha com gestos de diferenciação, e a reportagem avalia que um rompimento parece hoje inevitável.




