A cientista política Lara Mesquita, professora da FGV EESP, afirma que o próximo presidente terá de fazer concessões ao Centrão para formar maioria no Congresso. Segundo as principais pesquisas, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro estava praticamente empatada na véspera da votação. A entrevista foi concedida ao PlatôBR.
Nenhum dos dois candidatos tem maioria sozinho. Os partidos de direita, especialmente o PL, elegeram grandes bancadas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Mesmo assim, os partidos de centro podem definir o equilíbrio de forças na Câmara e no Senado, onde já há disputa pela presidência das casas.
Diferenças na negociação
Para a professora, a relação com o Congresso tende a ser mais fácil para Flávio Bolsonaro, porque sua agenda se aproxima da agenda do Centrão. Ela diz que o grupo não busca apenas cargos, havendo também interesses programáticos. Já um ministério da Saúde ou da Educação entregue a um nome do Centrão teria dificuldade de aceitação por parte de Lula e do PT.
No caso de vitória de Lula, a relação dependerá de quanto ele aceitará dividir o governo. Ela cita gestos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que pautou a votação do fim da escala 6x1, lido como sinal de apoio ao governo. A tensão com o Supremo Tribunal Federal e as indicações para a corte também pesam no cenário.
Proposta de reforma eleitoral
Outro ponto analisado é o projeto em tramitação na Câmara que adota o voto distrital misto, apresentado como forma de conter os puxadores de voto. Para a professora, o texto não elimina essa figura, porque permite que um candidato dispute pelas duas regras ao mesmo tempo. Ela também aponta que a lista fechada, pré-ordenada pelo partido, pode colocar no topo dirigentes que não disputaram a eleição de fato.
Na avaliação dela, a divisão de metade das cadeiras por uma regra e metade pela outra não preserva o sistema proporcional previsto na Constituição, o que abre espaço para questionamento na Justiça. Ela ressalta que não é jurista e que sua análise é de cientista política.
Ainda não se sabe quem vencerá a eleição, até que ponto Lula está disposto a ceder ao Centrão, como evoluirá a tensão com o STF e se o projeto de voto distrital misto será aprovado na Câmara.




