Os juros da dívida pública francesa a dez anos ultrapassaram 5% nesta semana, pela primeira vez desde 2002. O movimento preocupa investidores, que temem efeitos sobre toda a Europa, já que a França é uma das maiores economias da União Europeia.
A instabilidade política e social no país tem refletido nas taxas cobradas pelo Estado francês. Segundo a reportagem, o conflito no Oriente Médio também pesa sobre os mercados em todo o mundo. As finanças públicas francesas são apontadas como alarmantes, com a dívida próxima de 120% do Produto Interno Bruto.
Pressão sobre Portugal
Portugal também sente a pressão. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, reconheceu no Parlamento, em uma sexta-feira, que existe risco de crise nos mercados de dívida soberana. Ele afirmou que riscos geopolíticos afetam a economia portuguesa e defendeu prudência orçamental, enquanto o Orçamento do Estado para 2027 está em discussão.
O Conselho das Finanças Públicas projeta que a despesa com juros da dívida portuguesa suba de 6,3 mil milhões de euros neste ano para 9,4 mil milhões em 2030, alta próxima de 50% em quatro anos. A causa seria a piora nas condições de financiamento e déficits maiores. Em relação ao PIB, o peso dos juros passaria de 1,9% em 2025 para 2,5% em 2030.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, citou uma onda de protestos em diferentes países por causa do aumento do custo de vida. Ele afirmou que a alta das taxas de juro atinge famílias e Estados.
O que ainda não se sabe
A reportagem não detalha até onde os juros franceses podem subir nem por quanto tempo devem permanecer nesse patamar. Também não está claro como o Orçamento português para 2027 será ajustado diante do cenário. O impacto final dependerá do desdobramento político na França e da evolução do conflito no Oriente Médio.




