O senador Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula na eleição presidencial, deixou o Brasil na noite de terça-feira e chegou à região de Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28/10). A saída ocorreu depois de ele rejeitar o resultado das urnas. Ele anunciou uma ação judicial para anular a eleição, vencida por Lula com diferença de 4,4 milhões de votos, e insinuou fraude sem apresentar nenhuma prova. Em vídeo, declarou-se líder da oposição.

Ele recebeu quase 60 milhões de votos, o maior resultado de sua carreira política de 24 anos. Segundo a análise publicada pela Veja, as declarações dos últimos dias o deixaram isolado, e ele passou a ser tratado como um político com imagem desgastada.

Em carta dirigida ao povo brasileiro e à comunidade internacional, ele se apresentou como presidente eleito e usou um brasão antigo do país, o de Estados Unidos do Brazil. Depois de alertado sobre o erro, reeditou o texto e fez pelo menos quatro outras versões, alterando a forma como se descrevia no cargo.

Aliados se distanciaram. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, refutaram publicamente a tese de fraude e reconheceram a vitória de Lula.

Investigações e pontos em aberto

Flávio Bolsonaro responde a investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro. Um dos inquéritos apura o destino de 61 milhões de reais que ele confessou ter recebido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso por fraudes bilionárias no mercado financeiro. Segundo a coluna, nos Estados Unidos ele fica sob proteção do governo de Donald Trump e isento dos efeitos dessas investigações durante o mandato de senador, que termina em janeiro. Ainda não há informações sobre o andamento da ação judicial que ele anunciou para anular a eleição.