Eleitores da Sérvia e do Brasil votaram majoritariamente em partidos de esquerda, em resultados que não devem afetar diretamente as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para terça-feira, 3 de novembro. Mesmo assim, as vitórias são vistas como derrotas para o presidente Donald Trump.
Na Sérvia, a Lista dos Estudantes venceu. Aleksandar Vucic, presidente em fim de mandato, era um aliado europeu importante de Trump. Ele renunciou antes da votação para disputar o cargo de primeiro-ministro, função que já exerceu entre 2014 e 2017.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito. O campo de Trump esperava a vitória de Flávio Bolsonaro, que está sob investigação por suposta corrupção e lavagem de dinheiro. Após a derrota, ele deixou o país rumo à Flórida. O Departamento de Estado dos EUA concedeu a ele e à família vistos de entrada, apesar do processo em andamento.
Flávio Bolsonaro não reconhece a derrota e afirma haver irregularidades na votação. Trump disse na segunda-feira que a eleição brasileira pareceu fraudada. Segundo ele, as eleições precisam ser indiscutíveis, e aquela não pareceu assim. Trump também repete, sem provas, que houve roubo na eleição americana de 2020.
Proximidade com Moscou e Israel
Vucic governou a Sérvia com mão firme desde 2017 e mantém boas relações com o presidente russo Vladimir Putin. Ele não aderiu às sanções europeias contra a Rússia pela guerra na Ucrânia, e Belgrado segue comprando matérias-primas russas. Trump também tem se mostrado mais próximo de Moscou, e seu enviado especial Steve Witkoff chamou Putin de humanitário.
Em Israel, a apuração ainda não está concluída, com mais de 96% dos votos contados. O bloco de direita liderado por Benjamin Netanyahu aparece à frente, mas perdeu a maioria, e as negociações de coalizão devem ser difíceis. Segundo a reportagem, a relação entre EUA e Israel seguiria praticamente igual se Netanyahu permanecer no poder.
Ainda não está claro se a Conferência de Ação Política Conservadora dos EUA, ligada ao movimento MAGA, realizará em novembro o encontro em Belgrado em que Vucic seria o principal palestrante. Também não há definição sobre o efeito dessas eleições nas relações entre Washington e os novos governos.
Para o analista de política externa Lawrence J. Haas, os resultados não devem influenciar a votação americana, que deve girar em torno de temas como o custo de vida e a guerra com o Irã. Ele afirma que a aprovação de Trump é a mais baixa de um presidente às vésperas de eleições legislativas desde Harry Truman, em 1946.




