O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, segundo projeções da agência Associated Press. Os republicanos tinham 218 cadeiras na Câmara contra 214 dos democratas antes da votação. Até a última atualização, a AP havia dado 220 cadeiras ao partido, quando são necessárias 218 para maioria.

No Senado, a vitória mais simbólica foi a de Abdul El-Sayed, que derrotou o republicano Mike Rogers em Michigan por 52% a 46%. Aos 42 anos, ele será o primeiro senador muçulmano da história do país. Em Ohio, Sherrod Brown venceu Jon Husted, que havia sido nomeado em 2025 para a vaga deixada por JD Vance, agora vice-presidente. No Texas, James Talarico conquistou uma cadeira democrata que o partido não ocupava havia 38 anos.

Os democratas também venceram disputas para governador em Iowa, com Rob Sand, e em Ohio e Geórgia. Em Iowa, o partido voltou ao comando do estado após 16 anos de governos republicanos. Na Carolina do Sul, Annie Andrews surpreendeu os republicanos, segundo a DW.

Reação de Washington e de Berlim

O presidente Donald Trump afirmou que os democratas "fizeram um bom trabalho". O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, disse que o resultado dá ao partido mais poder para contestar a agenda de Trump. Ele precisa ainda ser eleito presidente da Casa em votação plenária, quando o novo Congresso se reunir em janeiro.

Na Alemanha, o coordenador de cooperação transatlântica do chanceler Friedrich Merz, Metin Hakverdi, disse que a eleição deve afetar as relações entre Berlim e Washington. Ele afirmou, porém, que Trump continua majoritariamente no comando da política externa. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, também reconheceu a vitória democrata e afirmou que a Casa Branca seguirá a mesma.

Mercados e crise de vetos

As bolsas globais recuperaram parte das perdas iniciais, e o dólar caiu para a menor cotação em um mês. Ações de tecnologia foram as mais afetadas, com receio de maior fiscalização sobre empresas de inteligência artificial e sobre a construção de data centers. Investidores também compraram títulos públicos, considerados mais seguros.

Ainda não se sabe como os democratas usarão a maioria, nem até onde Trump aceitará limites. Ele tem anunciado repetidamente que pretende usar seu poder de veto. A dimensão dos gastos também chama atenção: o bilionário Elon Musk doou US$ 446 milhões a candidatos por meio de comitês de ação política, segundo o rastreador OpenSecrets.