A corrupção tornou-se um dos principais temas dos eleitores dos Estados Unidos às vésperas das eleições de meio de mandato, que definem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Segundo levantamentos citados pela reportagem, nove em cada dez americanos consideram a falta de integridade no governo um problema grave.

Os candidatos democratas têm usado o tema em comícios e discursos. O ex-presidente Barack Obama, em evento na Geórgia, criticou o presidente Donald Trump por ganhos financeiros de sua família, incluindo negócios com criptomoedas e contratos públicos. A Casa Branca não foi citada na reportagem sobre essas acusações específicas.

Uma pesquisa da Fox News em outubro apontou que 88% dos eleitores se diziam muito ou extremamente preocupados com a corrupção no governo. Outro levantamento, feito pela Harris para o jornal The Guardian, mostrou que 76% acreditam que representantes públicos se preocupam mais em enriquecer do que em melhorar a vida da população.

Segundo a reportagem, a riqueza pessoal de Trump aumentou mais de 2.200 milhões de dólares desde que ele voltou à presidência, sobretudo com criptomoedas. Doações privadas somaram mais de 300 milhões de dólares para a construção de um salão de baile na Casa Branca, incluindo compromissos de 25 milhões de dólares cada da Apple e da Nvidia.

A disputa também atinge candidatos dos dois partidos. No Texas, o republicano Ken Paxton enfrenta questionamentos sobre sua integridade, e em Ohio uma propaganda republicana sobre a adversária democrata foi envolvida em polêmica sobre abuso sexual. Em Minnesota e no Alasca, há denúncias e investigações envolvendo campanhas da oposição.

As pesquisas indicam vantagem dos democratas, que precisariam de pelo menos quatro cadeiras para retomar a Câmara, e de quatro a mais para controlar o Senado. Mais de 51 milhões de eleitores já tinham votado antecipadamente, 25% a mais que em 2022. Ainda não se sabe se a corrupção será decisiva nos estados mais disputados, como Michigan, Alasca, Maine, Iowa, Ohio, Kansas e Texas.