O Instituto Fiscal Independente (IFI), instituição vinculada ao Senado, estimou que o estouro nas contas do governo federal em 2026 e o valor que deve pressionar 2027 somam R$ 186 bilhões. O cálculo usa dados oficiais e estimativas do próprio governo, além de informações do Banco Central.

Segundo o levantamento, o compromisso que continua nos anos de 2028, 2029 e 2030 chega a mais de R$ 134 bilhões. Somado a outros itens, o total chega a cerca de R$ 320 bilhões até o fim do mandato, sem contar o custo de subsídios de juros do programa Novos Indústria Brasil.

Entre as despesas de 2026 estão subsídios aos combustíveis, aportes a fundos garantidores, reajuste do Bolsa Família e renúncias fiscais. Também aparecem programas como Move Brasil, Brasil Soberano, Desenrola Adimplentes, Fies e um auxílio de capital de giro para companhias aéreas.

Para 2027, o IFI aponta aumento de gastos com o reajuste do Bolsa Família, além de benefícios na área da saúde e de educação. Também pesam o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e a queda de arrecadação com apostas esportivas e com o atraso do Imposto Seletivo da reforma tributária.

Dívida e juros

Os dados do Banco Central indicam que a dívida pública chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto em agosto, somando cerca de R$ 11,1 trilhões. A alta foi de 10,2 pontos percentuais no atual governo.

Parte relevante dos títulos vence em prazos curtos. Em agosto, 40,71% dos papéis tinham taxa prefixada e 33,13% tinham taxa flutuante, o que faz o custo da dívida depender diretamente dos juros praticados no mercado.

Analistas avaliam que a falta de sinais de ajuste fiscal elevou a pressão do mercado. Até o fechamento desta reportagem, não havia anúncio oficial de corte de despesas para compensar o cenário.

Ainda não está claro como o governo vai cobrir o déficit de 2026 e os compromissos de 2027, nem se haverá medidas de ajuste antes do fim do ano. O relatório do IFI apresenta cenários e não define decisões do Executivo.