A América Latina se transformou em um tabuleiro ideológico em que as forças políticas se distribuem entre esquerda e direita. O centro, que por décadas abrigou partidos moderados e coalizões pragmáticas, perdeu espaço com a radicalização dos discursos.

Segundo o articulista, apenas Suriname, Belize e República Dominicana ainda apresentam espaços mais consistentes para o pragmatismo centrista. Mesmo assim, ele ressalta que classificações ideológicas exigem cautela, já que nem todos os governos cabem com precisão nesses dois campos.

O fenômeno tem raízes históricas. Desigualdade social, concentração de renda, instabilidade institucional e autoritarismo marcaram o século XX, com ditaduras militares, revoluções socialistas e governos populistas. Segundo o texto, a dificuldade de construir consensos duradouros persiste.

A chamada onda rosa, no início deste século, levou à presidência lideranças de esquerda em vários países, como Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia e Equador. Em resposta, a direita reorganizou suas bandeiras, com foco em segurança pública, combate à corrupção e rejeição às elites tradicionais.

O autor cita a Argentina de Javier Milei e El Salvador de Nayib Bukele como exemplos dessa reação. Ele também aponta que regimes autoritários, como Cuba e Nicarágua, não devem ser confundidos com a disputa democrática entre correntes ideológicas.

No Brasil, a polarização transformou a eleição mais recente em confronto emocional, segundo o texto. Redes sociais e populismos de esquerda e de direita, que simplificam problemas e apresentam o líder como intérprete único do povo, aparecem como fatores que aumentam a tensão.

Para o articulista, o bolso do eleitor, com inflação, emprego, renda e custo da moradia, continua decisivo, e a alternância de governos reflete frustrações com promessas não cumpridas. O texto não detalha medidas concretas nem projeções para os próximos ciclos eleitorais na região.