Eleitores americanos votaram por mudanças nas eleições legislativas de meio de mandato, com a economia no topo das preocupações apontadas pelas pesquisas. Um artigo de opinião publicado pela Folha afirma, porém, que a troca de maioria no Congresso deve trazer pouco alívio imediato.

O argumento central é que a formulação de políticas tem sido conduzida por decretos presidenciais. Nesse cenário, o Congresso teria pouca capacidade de impor mudanças, já que um eventual projeto contrário às decisões de Donald Trump seria vetado pelo presidente.

O custo de vida aparece como a principal queixa da população. O texto cita o efeito das tarifas de Trump sobre os preços e a guerra no Oriente Médio, que pesa sobre os preços de combustíveis. Segundo o artigo, uma resolução sobre poderes de guerra poderia reduzir esses preços com o tempo, mas também enfrentaria veto.

Na saúde, seguradoras propuseram aumento mediano de 15% nos planos do mercado do Obamacare. O texto relaciona a alta à expiração de subsídios temporários para renda média e à saída de pessoas saudáveis dos planos, o que encarece os contratos para quem permanece.

Imigração, inteligência artificial e dívida pública

A política migratória também pesou na votação. Detenções e deportações consideradas arbitrárias preocupam sobretudo comunidades latino-americanas e asiático-americanas. Segundo o artigo, a execução cabe a órgãos do Executivo, e não ao Legislativo.

A expansão de data centers para inteligência artificial também gerou tensão. O texto sugere que leis exigindo análises e consultas às comunidades poderiam ser aprovadas, mas que mudanças mais efetivas no setor tenderiam a partir de autoridades estaduais.

No campo fiscal, o artigo aponta dívida pública acima de 100% do PIB e déficits superiores a 6%, com efeitos já sentidos em juros mais altos para financiamentos imobiliários. Para o autor, os democratas também evitam propostas que ampliem a arrecadação de forma relevante.

Ainda não está claro se uma eventual reforma tributária abrangente avançará. O texto afirma que isso depende da eleição de um presidente democrata com visão de longo prazo e de um Congresso disposto a enfrentar o tema, o que segue incerto.