O papa Leão 14 chegou a Montevidéu na tarde de sexta-feira (6) e, no primeiro discurso da visita, destacou os 40 anos ininterruptos de democracia uruguaia. A fala foi feita na Praça da Independência, após ser recebido pelo presidente Yamandú Orsi no Aeroporto Internacional Carrasco.
Leão também elogiou os esforços ambientais do país, cuja matriz elétrica hoje se baseia quase inteiramente em fontes renováveis. Ele citou o antecessor Francisco, que colocou a questão ambiental no centro do seu pontificado.
Antes do pouso, o pontífice, de 71 anos, afirmou que se sente bem após a cirurgia pulmonar feita no mês passado para remover um câncer. Disse que a experiência reforçou sua crença na saúde como direito humano e defendeu que o atendimento chegue a todas as pessoas, independentemente de recursos.
Na mesma fala, criticou o aborto, permitido no Uruguai até a 12ª semana de gestação desde 2012. A visita, que inclui também Argentina e Peru, tem cerca de 50 eventos em dez cidades ao longo de 12 dias.
Um país cada vez menos católico
O Uruguai é hoje o único país da região sem maioria cristã, segundo o Pew Research Center. Em 1990, cerca de 66% da população se declarava católica; uma pesquisa de agosto da consultora Cifra indica 32,5%, com 28,2% de agnósticos ou ateus.
O caráter laico do país vem do início do século 20, com reformas do presidente José Batlle y Ordóñez. A Constituição de 1919 já previa que o Estado não apoia nenhuma religião, e a discussão sobre os limites entre Igreja e Estado segue viva.
Houve controvérsia sobre um convite para Leão falar na Assembleia Geral. O Vaticano descartou a possibilidade, e a visita será oficial, não de Estado, sem agenda no Legislativo ou no Judiciário. Em outubro, deputados também reacenderam o debate ao pedir a iluminação do Parlamento com as cores do Vaticano.




