Cerca de 2.800 militares de 11 países vão participar do KOALICJA 26.2, primeiro grande exercício militar da Coalizão dos Dispostos, previsto para ocorrer entre 9 e 22 de novembro na Polônia, na França e na Turquia. Reino Unido e França lideram as manobras, conduzidas sob o braço militar da coalizão, a Força Multinacional para a Ucrânia (MNF-U). Tropas dos Estados Unidos não vão participar.
O treinamento combina operações aéreas, terrestres e marítimas e busca testar como deslocar, proteger e abastecer uma força que ajudaria a reconstruir as Forças Armadas ucranianas quando os combates terminarem. Os britânicos enviam 300 militares, incluindo soldados da 7ª Brigada Leve Mecanizada. A Polônia deve somar quase 2.000 soldados, mas não enviará tropas para dentro da Ucrânia. A França mandará centenas de militares, com uma unidade equipada com cerca de 50 drones de contato. A Turquia não enviará tropas à Polônia, mas instalará o componente marítimo da força em Istambul, para testar a remoção de minas no mar Negro.
A reativação do exercício ocorre em meio a novas negociações. Representantes dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia devem se reunir em Abu Dhabi nos dias 10 e 11 de novembro, segundo o enviado especial Steve Witkoff. As conversas de paz estavam paradas desde que EUA e Israel começaram a atacar o Irã, em fevereiro, e só voltaram a avançar em setembro.
Segundo as informações divulgadas, a força não terá mandato de manutenção da paz nem de monitoramento de cessar-fogo, e não operará sob comando da Otan. Ela só entraria na Ucrânia após um cessar-fogo e a pedido de Kiev. Os possíveis papéis incluem proteger infraestrutura essencial, treinar o Exército ucraniano, ajudar a proteger o espaço aéreo e remover minas. O presidente russo, Vladimir Putin, rejeita a presença de tropas estrangeiras na Ucrânia e afirmou, em setembro de 2025, que forças ocidentais ali seriam alvos legítimos.
Ainda não há definição sobre o tamanho final da força. Reino Unido e França disseram neste ano estar dispostos a contribuir com cerca de 5.000 soldados cada. Um Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais estimou, em 2025, que uma presença mínima de dissuasão exigiria entre 10.000 e 25.000 militares, número que sobe com as rotações de tropas.
Ao pressionar os aliados por rapidez, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, lembrou que a Rússia segue atacando a rede elétrica e outras infraestruturas críticas do país, que se prepara para o quinto inverno de guerra em grande escala. Ele afirmou: "Não há alternativa à paz, e as garantias de segurança do pós-guerra precisam ser realmente sólidas."




