A vitória democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos, realizada na terça-feira, pode mudar a forma como o governo de Donald Trump conduz sua política para a América Latina. A eleição também abriu debate sobre como o próximo presidente americano deve tratar a região.
Parlamentares americanos já pressionavam por mais fiscalização. Eles pediram intimações ligadas ao acordo petrolífero de Trump com a Venezuela, apresentaram uma resolução para barrar ataques letais a barcos na região e exigiram audiências sobre a detenção de deportados em El Salvador. Sem maioria, esses esforços avançaram devagar. A situação deve mudar em janeiro, quando o novo Congresso tomar posse.
Segundo o ex-assessor jurídico do Departamento de Estado Brian Finucane, os democratas poderiam tentar encerrar os ataques a barcos ao incluir uma proibição de financiamento em projetos de lei que precisam ser aprovados. Ele citou como precedente a ameaça do Congresso, em 1973, de paralisar o governo para interromper os bombardeios dos Estados Unidos ao Camboja.
O deputado republicano Thomas Massie, que deixa o cargo em janeiro, afirmou que pretende apresentar um pedido de impeachment contra o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na próxima semana, caso ele não renuncie antes. Fontes republicanas ouvidas pela CNN disseram esperar que a iniciativa seja aprovada. Massie critica sobretudo a guerra no Irã, que, segundo ele, contraria a Lei de Poderes de Guerra.
Hegseth é um defensor declarado dos ataques a barcos no Hemisfério Ocidental. Uma eventual saída dele poderia alterar os critérios que o governo usa para avaliar se essas operações são bem-sucedidas. Já uma saída do secretário de Estado, Marco Rubio, responsável pela política venezuelana, seria um abalo maior. O jornal The Independent afirmou que Rubio estaria prestes a deixar o cargo, mas a Casa Branca e o Departamento de Estado negaram a informação.
Analistas avaliam que a fiscalização democrata pode ter efeito contrário e levar Trump a agir ainda mais sozinho na região, onde o Executivo tem mais margem de manobra. Líderes estrangeiros também podem resistir mais a ele, já que a eleição enfraqueceu sua posição. Na semana anterior, presidentes de direita da América Latina, normalmente próximos a Trump, reconheceram rapidamente a reeleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O governo Trump ainda não o fez.
No Paraguai, o presidente Santiago Peña renunciou de forma repentina após a quebra de um banco digital, o Ueno, que deixou milhões de pessoas sem acesso ao dinheiro. Reguladores assumiram o controle da instituição na terça-feira. O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir até a próxima eleição presidencial, em 2028. Peña negou irregularidades. Ainda não está claro como ficará o caso do banco e a relação de seus dirigentes com o poder.




