A vitória dos democratas no Congresso dos Estados Unidos, que passaram a controlar o Senado e a Câmara, foi recebida com otimismo cauteloso em Kyiv. A capital ucraniana se prepara para um inverno rigoroso e, na semana da eleição, enfrenta cortes de energia e água após uma sequência de bombardeios russos contra a infraestrutura crítica.
Moradores ouvidos pela Foreign Policy disseram que a prioridade é sobreviver ao dia a dia. Uma mulher chamada Yulia, que não informou o sobrenome, resumiu a expectativa: ter água, eletricidade e nenhuma guerra. Em um café da cidade, um gerador mantinha as luzes acesas havia oito horas.
No sul, na região de Zaporizhzhia, equipes de resgate buscavam sobreviventes após um bombardeio russo a um centro humanitário na segunda-feira. O ataque deixou ao menos 40 mortos e dezenas de desaparecidos sob os escombros. Pode estar entre os mais letais contra civis em quase cinco anos de guerra.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que foi significativo o fato de os ataques coincidirem com a eleição americana e pediu que os Estados Unidos ajudem a construir uma paz confiável. A relação entre Zelensky e o presidente Donald Trump é tensa, principalmente por causa dos mísseis Patriot, usados para interceptar mísseis balísticos russos.
O governo Trump aprovou na semana passada uma venda proposta de US$ 2,1 bilhões desses mísseis à Ucrânia, paga integralmente por Canadá, Noruega e Alemanha. Zelensky, porém, disse que a entrega pode levar vários anos e alertou para a redução dos estoques. Washington já havia recuado em promessas de compartilhar a tecnologia desses mísseis.
Há novas negociações previstas. A Comissão Europeia reúne representantes de Ucrânia, Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Otan e Banco Mundial para discutir reconstrução do pós-guerra e garantias de segurança. Na semana seguinte, os Estados Unidos devem mediar conversas entre Kyiv e Moscou em Abu Dhabi, segundo o enviado especial Steve Witkoff.
Ainda não está claro se a mudança no Congresso americano terá efeito concreto sobre o apoio militar e diplomático a Kyiv. Também não há detalhes sobre o resultado das conversas previstas, nem sobre quando os mísseis encomendados chegariam ao país.




