Um consórcio de empresas dos Estados Unidos propôs um projeto de gás natural liquefeito (GNL) de US$ 4,4 bilhões em Port Qasim, perto de Karachi. Seria o primeiro terminal de armazenamento de GNL do Paquistão, destinado a proteger o país de choques no mercado global de energia.
O plano prevê um grande terminal de armazenamento e, no futuro, um gasoduto de 680 milhas. Agências de apoio ao comércio e financiamento dos EUA, incluindo o Banco de Exportação e Importação americano, respaldam a iniciativa.
A proposta mostra como a relação bilateral mudou no segundo mandato de Donald Trump. Após a retirada americana do Afeganistão, em 2021, os laços com Islamabad haviam sido rebaixados, vistos sobretudo pela ótica da segurança. Agora Washington prioriza temas econômicos e comerciais, embora o combate ao terrorismo continue presente.
Os EUA demonstram interesse em minerais críticos e recursos ligados a criptomoedas no Paquistão e pressionam para que o país compre mais produtos americanos, inclusive energia. Em outubro de 2025, o Paquistão recebeu seu primeiro carregamento de petróleo bruto dos EUA. Washington também trabalha para remover barreiras comerciais, incluindo o fim de uma proibição de dois anos às exportações de soja americana.
Segundo o Financial Times, Islamabad chegou a oferecer aos americanos a chance de construir e administrar um porto no Mar Arábico. O governo paquistanês nega a informação.
Analistas avaliam que essa guinada pode não durar. A política comercial de Trump é movida, em grande parte, por decisões pessoais do presidente e por interesses econômicos de familiares e aliados. Com a vitória democrata nas eleições legislativas de meio de mandato, a Câmara e o Senado passam a ser controlados pelo partido de oposição a partir de janeiro, o que pode dificultar novos acordos.
Ainda não está claro se o projeto de GNL sairá do papel nem como ficará a relação após o fim do mandato de Trump, daqui a dois anos. A Casa Branca não anuncia uma política formal para o Paquistão desde agosto de 2017, o que reforça a incerteza sobre o rumo dessa aproximação.




