Os democratas assumiram o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos na terça-feira (3), em eleições de meio de mandato. A votação ocorreu em redutos republicanos e marcou a primeira vez em gerações que o partido venceu nesses locais, segundo a reportagem.

Os eleitores demonstraram frustração com a guerra contra o Irã, com o alto custo de vida e com a forma como o presidente Donald Trump tem governado. No Kansas, o partido elegeu um senador pela primeira vez desde a Grande Depressão. Na Carolina do Sul, derrotou o candidato ao Senado escolhido por Trump. No Texas, conquistou uma cadeira no Senado e derrotou o governador Greg Abbott, que disputava o terceiro mandato.

Novo equilíbrio de poder

O resultado inaugura um período de governo dividido em Washington. Nos dois últimos anos, o Congresso controlado pelos republicanos raramente limitou o presidente. A partir de janeiro, os democratas pretendem investigar o governo, a família Trump e aliados, além de negociar projetos de lei. O Senado poderá bloquear indicados de Trump, inclusive para a Suprema Corte, caso surja uma vaga.

Trump não pode disputar um terceiro mandato. Segundo a reportagem, a mudança no Congresso pode acelerar sua condição de presidente em fim de mandato, com a atenção já voltada para a disputa presidencial de 2028.

Trump reconheceu o resultado e parabenizou os democratas em entrevista à Fox News. Ele disse que trabalharia com o partido em temas como imigração, mas ameaçou vetar projetos considerados insanos. Os democratas centraram a campanha na corrupção e no custo de vida, e atribuíram ao tarifaço e à guerra com o Irã o aumento de preços.

Disputas e derrotas de aliados de Trump

A onda democrata atingiu condados ricos e pobres, com e sem alta escolaridade. Os avanços foram mais fortes em áreas com grande população latina, inclusive no Texas e no Kansas. Os democratas venceram todas as 20 disputas para a Câmara consideradas mais acirradas até o momento, e a tentativa republicana de redesenhar distritos para se beneficiar falhou em grande parte.

Trump interveio em disputas para apoiar candidatos próprios, como Ken Paxton no Texas e Darline Graham na Carolina do Sul. Ambos perderam. No Maine, a senadora republicana Susan Collins deixou o cargo após 30 anos, apesar de ter prometido romper com o presidente. Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed venceu e se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado.

Pesquisa de boca de urna mostrou que metade dos eleitores quis repreender o presidente e que 70% defendem mais freios e contrapesos do Congresso sobre ele. Ainda não estavam definidas as disputas pelo Senado no Mississippi e no Alasca. Trump afirmou nas redes sociais que teria vencido se estivesse na cédula.