O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, entrega o cargo na segunda-feira (9) aos sucessores da COP31. Em entrevista ao GLOBO, ele afirmou que a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos tende a reduzir o receio de países em falar de clima. Segundo ele, a vitória dos democratas faz a pauta voltar a ocupar espaço central no cenário internacional.
Corrêa do Lago defendeu os chamados mapas do caminho, documentos não mandatórios que orientam governos a interromper o desmatamento e o uso de combustíveis fósseis. Para ele, o problema do Acordo de Paris não é a negociação, mas a implementação, que depende de ministérios de infraestrutura, da Fazenda e de transportes, além de bancos multilaterais.
Segundo o embaixador, as metas atuais colocam o planeta numa trajetória de cerca de 2,7°C de aquecimento, abaixo dos mais de 4°C previstos quando o acordo foi assinado em 2015, mas ainda acima do objetivo de 1,5°C.
Ausência dos americanos
Os Estados Unidos deixaram o Acordo de Paris pela segunda vez em 2024. Para o presidente da COP30, a ausência americana obrigou a Europa a assumir um papel mais duro nas negociações, sobretudo no financiamento, antes puxado pelos europeus que cobravam mais recursos de Washington. Ele afirmou que, em certos momentos, os americanos também travaram avanços, como na adaptação.
Corrêa do Lago também comentou a posição da China, que ele classificou como líder na produção de ciência climática, mas que é alvo de questionamentos sobre o adiamento de um relatório do IPCC. Sobre o G77, disse que o grupo segue importante, embora tenha mais dificuldade de chegar a consenso por reunir países com interesses muito diferentes.
Ainda não está definido se a presidência australiana da negociação na COP31 avançará no Mecanismo de Ação de Belém, considerado um dos temas mais exitosos da COP30. Também não há confirmação sobre convites a governadores e senadores democratas para a conferência na Turquia, que será presidida por Murat Kurum.




