Os termos "guerra híbrida" e "guerra de nova geração" são usados para descrever as mesmas ações russas, embora tenham origens diferentes. Uma análise publicada pela Defence24 explica que nenhum dos dois é uma doutrina oficial do Estado russo.
O conceito de guerra híbrida surgiu na análise ocidental, com Frank Hoffman, para descrever a combinação de forças convencionais, irregulares, políticas e informacionais. Após a anexação da Crimeia em 2014, passou a ser aplicado às ações russas, com o tempo incluindo ataques cibernéticos, sabotagem e pressão econômica.
A expressão "guerra de nova geração" aparece em publicações militares russas. Um artigo de 2013 de Serguei Tchekinov e Serguei Bogdanov é citado como referência, mas os autores apresentavam uma discussão, não um esquema operacional aprovado.
Um caso citado no texto é a interpretação do artigo de Valeri Gerasimov de 2013. O texto não usa a expressão "guerra híbrida", mas o Ocidente passou a chamá-lo de "doutrina Gerasimov", rótulo que o próprio Mark Galeotti classificou como um atalho analítico.
Analistas divergem sobre o alcance dos termos. Nikolai Sokov vê a guerra de nova geração como um escopo mais estreito, voltado às operações militares. Jānis Bērziņš a trata como uma estratégia ampla de pressão sobre o adversário. Já James Derleth a define como forma de atingir objetivos sem guerra convencional aberta.
Pesquisadores também apontam que, na narrativa russa, a guerra híbrida costuma ser apresentada como ameaça vinda do Ocidente. Segundo Maxim Suchkov, o conceito também é usado na política interna para justificar o fortalecimento do controle estatal.
Ainda não há uma definição amplamente aceita dos termos. O debate continua aberto sobre o peso de cada conceito na prática russa e sobre como essas categorias devem orientar a interpretação das ações da Rússia na Ucrânia e na Europa.




