A Rússia deve exigir que a Otan retire tropas, armamentos e infraestrutura militar dos países que entraram na aliança após 1997, como condição para a paz na Ucrânia. A informação aparece em análise publicada pela revista National Interest e trata de uma proposta que ainda não foi formalizada nas negociações.

Entre os países que poderiam ser afetados estão Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia e Finlândia. Segundo a análise, a medida atingiria 16 dos 32 membros atuais da aliança. A Otan não deve sequer considerar o pedido, que o bloco classifica como inviável.

O texto lembra que Moscou já fez proposta semelhante em dezembro de 2021, semanas antes da invasão da Ucrânia, sem sucesso. Depois do início da guerra, Finlândia e Suécia aderiram à aliança em 2023 e 2024, o que piorou a situação estratégica russa, segundo a análise.

Uma mudança de postura

Em 2000, Vladimir Putin chegou a dizer que não descartava a entrada da Rússia na Otan. Ele também manifestou interesse durante encontro com Bill Clinton, em junho daquele ano. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, Moscou cooperou com o Ocidente, inclusive na operação no Afeganistão.

A virada, segundo o texto, veio com a entrada de Estônia, Letônia e Lituânia em 2004, que criou fronteira terrestre direta com a Rússia. Desde então, o Kremlin passou a afirmar que líderes ocidentais descumpriram garantias informais dadas durante a reunificação alemã. Em 2007, Putin criticou a expansão em discurso na Conferência de Segurança de Munique.

Historiadores e analistas citados pela análise avaliam que o argumento de segurança serve também para afastar a Ucrânia da órbita de Moscou. Os protestos de 2013 e 2014 levaram à saída do presidente pró-russo Viktor Ianukovich e à chegada de um governo pró-Ocidente.

Ainda não está claro se a proposta será apresentada formalmente na próxima rodada de negociações nem qual seria a resposta detalhada da Otan. A análise também cita que os Estados Unidos sugeriram a adesão da Ucrânia à União Europeia como garantia de segurança, em troca de abandono da candidatura à Otan.