Promotores federais dos Estados Unidos deram passos para acusar o ex-diretor do FBI James Comey de vazar informações de defesa nacional, segundo um documento apresentado à Justiça. É a terceira vez que o Departamento de Justiça tenta levar Comey a julgamento criminal.

O documento tem três páginas e traz poucos detalhes sobre as duas acusações. Os advogados de Comey afirmam que o caso se refere a uma suposta divulgação de informações classificadas ao New York Times em outubro de 2016, período em que ele comandava o FBI.

Comey negou qualquer irregularidade em um vídeo publicado no Substack na segunda-feira. Ele chamou as acusações de abuso grave do Departamento de Justiça e disse que continua inocente.

A acusação foi apresentada em Washington por meio de uma informação criminal, documento assinado diretamente por um promotor. Esse formato não exige aprovação de um grande júri, diferentemente de uma denúncia formal de indiciamento.

O advogado Patrick Fitzgerald afirmou que duas equipes de promotores já investigaram o caso no primeiro governo Trump e que, nas duas vezes, decidiram não apresentar acusações contra ninguém. A defesa pediu a anulação das acusações.

Comey é um crítico de longa data do presidente Donald Trump, que o demitiu durante o primeiro mandato, depois de o então diretor abrir uma investigação sobre suspeitas de interferência russa na eleição presidencial de 2016. Desde então, Trump tem pedido publicamente a responsabilização do ex-diretor.

Em setembro de 2025, Comey foi indiciado por um grande júri sob acusação de mentir ao Congresso e obstruir uma sessão legislativa. O caso foi arquivado em novembro. Em abril de 2026, ele se entregou às autoridades para responder a outra acusação, ligada a uma foto publicada em uma rede social que, segundo a promotoria, incitaria violência contra Trump. Comey nega ter sabido o sentido dos números usados na imagem, e esse processo segue em andamento.

No mesmo dia em que as novas acusações vieram a público, um juiz federal decidiu que o Departamento de Justiça demitiu ilegalmente a filha de Comey, Maurene Comey, procuradora federal em Nova York. A decisão determina a reintegração dela e o pagamento de salários atrasados. Ainda não se sabe se a defesa conseguirá anular a nova acusação, e o processo sobre o vazamento ainda está em fase inicial.