A confirmação de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas colocou o Amapá no centro de uma faixa petrolífera que vai do norte da América do Sul até a Guiana Francesa. Região onde já atuam gigantes do setor, como ExxonMobil, Shell, Total, Petronas e Chevron.
Técnicos do governo estadual veem um deslocamento dos investimentos em petróleo e gás do Oriente Médio para o norte do continente. A estratégia até agora é transformar o Estado em um polo de serviços logísticos capaz de atender tanto o pré-sal do Rio de Janeiro quanto a demanda das Guianas e do Suriname.
Disputa com o Pará
O clima mudou em outubro, quando a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em Belém que a capital paraense tem infraestrutura mais preparada que Oiapoque para receber a cadeia do petróleo. A declaração provocou reação no meio político e econômico do Amapá, e a Federação das Indústrias do Amapá divulgou nota de repúdio.
Chambriard classificou o impasse como conflito fictício e disse que Amapá e Pará serão necessários. A Petrobras afirmou que a definição de estruturas logísticas definitivas depende de análises técnicas sobre a viabilidade econômica das descobertas e do porte dos projetos.
Gargalos locais
Empresários ouvidos pela reportagem apontam falta de mão de obra qualificada, carência de serviços especializados e poucas empresas certificadas para atender a estatal. Em Oiapoque, a rede hoteleira ainda opera com informalidade, e a cadeia exige hospitais e empresas de combate a incêndio que o Estado ainda não tem em escala.
O custo de manter um funcionário no Norte também pesa. Uma estimativa usada por empresas do Rio de Janeiro aponta que o gasto seria três vezes maior, por causa de passagens, transporte, aluguel e serviços básicos para a família.
O que ainda não se sabe
Não há definição sobre a localização da base logística principal. Também depende de decisões futuras a possível mudança na legislação francesa que hoje proíbe a exploração de hidrocarbonetos nos territórios ultramarinos, discutida no Senado da França. O governo estadual planeja criar um fundo soberano para administrar as receitas, mas o volume dependerá dos projetos que de fato saírem do papel.




