Um levantamento baseado em registros de perdas militares indica que a Ucrânia teve mais soldados perdidos na operação militar em Kursk, na Rússia, do que na defesa da cidade de Bakhmut. Segundo a análise, foram 9.946 registros de baixas ucranianas na região, entre mortos, desaparecidos e prisioneiros.

Os números vêm do LossesUA, um agregador de dados que cruza fontes abertas, como bases de desaparecidos do Ministério do Interior ucraniano e necrológios publicados por administrações locais. Ainda segundo o levantamento, 3.691 militares morreram, 5.760 foram dados como desaparecidos e 495 foram capturados. Um analista que comentou os dados em uma rede social destacou que a maior parte dos desaparecidos ainda não tem situação esclarecida.

A operação em Kursk foi vista, na época, como um plano estratégico para desviar tropas russas do avanço no Donbas. Mapas do DeepState mostram que a Ucrânia chegou a controlar até 902 km² do oblast de Kursk em setembro de 2024. Essa área caiu para cerca de 430 km² em fevereiro de 2025 e para 80 km² no fim de março do mesmo ano.

Os dados também mostram que as perdas não acompanharam o avanço inicial. Foram 651 registros em agosto de 2024, mas o número subiu enquanto o território controlado diminuía, com pico de 1.397 em dezembro de 2024. A proporção de desaparecidos também chamou atenção: cerca de 72% dos registros atuais se referem a essa categoria, contra 47% a 57% nos meses anteriores.

Em Bakhmut, considerada durante anos o episódio mais sangrento da guerra, a Ucrânia estimava até 30 mil mortos russos. Para as perdas ucranianas na cidade, uma das fontes cita cerca de 8 mil mortos e desaparecidos, enquanto outro levantamento aponta cerca de 6 mil. Os números variam porque a Ucrânia costuma não divulgar suas perdas de forma completa.

Ainda não há dados oficiais que confirmem as cifras. O método do LossesUA não é totalmente preciso e depende de informações públicas. Também não está claro qual será o destino de grande parte dos desaparecidos, o que pode alterar o balanço final.