Os líderes da Noruega e da Finlândia tiveram uma conversa rara com o presidente russo, Vladimir Putin, para pedir o fim da guerra na Ucrânia. O contato ocorreu na terça-feira e antecede uma nova rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, prevista para o próximo mês.

A ligação quebra uma linha antiga de governos da Europa Ocidental, que evitam conversas diretas com o líder russo. O presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, falaram com Putin por 90 minutos.

O contexto é de isolamento europeu nas negociações conduzidas por Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um encontro direto entre os presidentes russo e ucraniano deve ocorrer em breve. Analistas avaliam que Trump tem se aproximado de Putin em detrimento de Volodymyr Zelensky, e as relações entre Estados Unidos e Ucrânia estão no nível mais baixo em 18 meses.

Trump também fechou acordo com Putin para liberar estoques de diesel russo e suspendeu novas sanções contra a Rússia, o que provocou críticas na Europa e dentro do Partido Republicano. Kiev acusa Washington de restringir o acesso ucraniano ao Starshield, sistema de satélites militares usado para orientação de mísseis.

Stubb classificou a conversa como franca e substancial e disse que o resultado da guerra afetará diretamente a segurança europeia. Segundo ele, a ligação foi feita a título pessoal, não em nome da Europa, e foi coordenada com Ucrânia e Estados Unidos. Støre afirmou que falar com o outro lado não significa reduzir a pressão sobre Moscou.

Do lado russo, o Kremlin manteve a linha dura. Segundo o comunicado, uma paz justa e duradoura só será possível se os interesses legítimos da Rússia forem plenamente atendidos. O porta-voz Dmitri Peskov classificou a conversa como construtiva, mas o chanceler Sergei Lavrov disse que a iniciativa não trouxe nada de novo. O assessor Yuri Ushakov afirmou que o atual líder de Kiev não é legítimo.

Governos europeus reagiram com cautela. O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, disse ter poucas expectativas, e a dinamarquesa Mette Frederiksen defendeu uma posição unificada do bloco. Ainda não se sabe se a iniciativa abrirá um canal efetivo de negociação nem se Putin e Zelensky terão um encontro direto.