O Exército de Israel manteve as incursões em Hebron no sexto dia do bloqueio à maior cidade da Cisjordânia ocupada. Na quarta-feira, tropas invadiram vários bairros da cidade e localidades de toda a governadoria, reforçando as restrições nas entradas de Hebron, segundo a agência Anadolu.

Soldados também fizeram buscas em casas do campo de refugiados de Fawwar, ao sul de Hebron, por volta da meia-noite. Em outras áreas da Cisjordânia, quatro palestinos foram detidos em Tulkarem, de acordo com a agência Wafa. Entre eles estão um jornalista e seus dois irmãos, além de um funcionário do Serviço Geral de Inteligência palestino.

Em Beita, ao sul de Nablus, militares lançaram gás lacrimogêneo contra manifestantes que protestavam contra a demolição de duas casas pertencentes a famílias de dois presos palestinos. Na aldeia de Yasid, ao norte de Nablus, um homem palestino sofreu fraturas na mão após ser espancado por soldados. Em Burin, tropas invadiram casas e transformaram várias delas em quartéis militares.

Escolas no sul de Nablus receberam ordem para migrar para o ensino remoto, sob a justificativa de proteger alunos e professores.

Alerta da ONU

As operações seguem um dia após a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA) manifestar "grave preocupação" com as incursões israelenses em Hebron, que deslocaram quase 5.000 palestinos. A agência afirmou que a punição coletiva viola o direito internacional.

Roland Friedrich, diretor da UNRWA para a Cisjordânia ocupada, afirmou em publicação na rede X que o bloqueio quase total severamente restringiu a liberdade de circulação dos moradores e o acesso a serviços essenciais. Ele comparou a situação ao deslocamento em massa no norte da Cisjordânia no início de 2025, quando mais de 34.000 refugiados palestinos dos campos de Jenin, Tulkarem e Nur Shams continuam deslocados após mais de um ano.

A ofensiva foi motivada pela morte de dois soldados israelenses por atiradores palestinos em um posto de controle na semana anterior. Os atiradores foram mortos depois pelas forças israelenses.

Autoridades palestinas acusam o premiê Benjamin Netanyahu e seu governo de extrema direita de explorar a operação para conquistar votos de colonos antes das eleições israelenses de terça-feira. Ainda não está claro até quando o bloqueio em Hebron será mantido nem qual será o número final de pessoas afetadas.