Israelenses se preparam para escolher o próximo governo em poucos dias. Segundo o colunista Ezra Klein, a oposição, liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, tinha vantagem modesta nas pesquisas, mas a campanha foi conduzida nos termos do premiê Binyamin Netanyahu.
Os principais nomes da oposição adotaram, em pontos centrais, a visão de Netanyahu e se colocaram até à direita dele. Eisenkot disse que se opõe à criação de um Estado palestino e que acabaria com o domínio do Hamas em Gaza em até um ano e meio, por meios militares se necessário. Outros líderes defenderam ações mais duras contra a Turquia, o Catar e a Autoridade Palestina.
Com exceção do esquerdista Yair Golan, todos os principais líderes da oposição descartaram incluir partidos árabe-israelenses em uma coalizão. Para o colunista, Netanyahu pode perder a eleição justamente porque seus adversários aceitaram suas premissas.
Vitória interna e isolamento externo
O texto afirma que a maioria dos judeus israelenses passou a ver o mundo como Netanyahu sempre viu. Essa seria a principal vitória do premiê. A derrota, segundo a análise, é que boa parte do mundo passou a enxergar Israel da forma como os palestinos de Gaza o enxergam.
Klein compara o resultado ao do líder do Hamas Yahya Sinwar, morto em 2024 e apontado como responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023. Segundo o colunista, os dois alcançaram parte do que buscavam, com efeitos catastróficos para seus povos. Antes do ataque, Netanyahu havia apoiado o Hamas com recursos do Catar, o que, segundo a análise, era visto como forma de dividir os palestinos e barrar a criação de um Estado palestino.
Após o ataque, que matou cerca de 1.200 pessoas e deixou 251 reféns, a ofensiva israelense em Gaza matou mais de 74 mil palestinos, segundo o texto, dos quais mais de 21 mil eram crianças. Mais de 150 países, entre eles Reino Unido, França e Canadá, passaram a reconhecer um Estado palestino. Israel é acusado de genocídio na Corte Internacional de Justiça.
Segundo a análise, a campanha militar também atingiu o Hezbollah no Líbano e buscou convencer os Estados Unidos a atacar o regime iraniano. Apesar dos danos, Irã, Hezbollah e Hamas seguem de pé, e a relação de Israel com Washington, segundo o colunista, caminha para um desgaste, com setores do Partido Democrata criticando o apoio incondicional ao país.
O texto ainda não permite saber como será a relação entre Israel e a comunidade internacional caso a oposição vença. Para o colunista, um eventual governo oposicionista precisaria encontrar uma saída dessa lógica para ter êxito.




