Benjamin Netanyahu deve permanecer como primeiro-ministro interino de Israel após a eleição realizada no período. Com mais de 90% das urnas apuradas, as três principais emissoras israelenses projetaram 53 cadeiras para o bloco do premiê, formado por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, no Knesset, que tem 120 cadeiras. O bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, ficaria com 48.
Mesmo sem maioria parlamentar, o bloco governista tem chances de manter o poder. Os partidos que representam os árabes israelenses devem conquistar 19 cadeiras, número inédito. Isso deixa a oposição com poucas opções realistas de formar governo sem o apoio desses grupos, algo que muitos líderes judeus rejeitam. Os resultados ainda podem mudar conforme a contagem avança.
Netanyahu deve continuar no cargo durante as negociações de coalizão e, possivelmente, até uma nova eleição no ano seguinte. Especialistas afirmam que um governo interino mantém poderes, inclusive em relação à guerra com o Irã, embora enfrente restrições e deva agir com moderação.
Em seu discurso aos apoiadores do Likud, Netanyahu defendeu um governo nacional de direita e falou em uma possível nova ação militar conjunta com os Estados Unidos contra o Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia pedido aos eleitores israelenses que mantivessem Netanyahu no poder. Eisenkot acusou o premiê de poder usar a segurança para fins políticos e pediu que os chefes das forças de segurança resistam a qualquer tentativa de desafio.
O resultado repercutiu na região. Em Teerã, cartazes lembraram os ataques de Estados Unidos e Israel lançados em fevereiro, que deram início à guerra, e a morte do líder supremo Ali Khamenei. No Egito, eleitores que esperavam uma derrota de Netanyahu se disseram frustrados. A bolsa de Tel Aviv caiu mais de 3% e o shekel perdeu cerca de 1,6% frente ao dólar.
A eleição foi a primeira desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, que deixaram 1.200 mortos e 251 reféns em Israel e levaram a guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. A ofensiva em Gaza matou 74 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde do território. Netanyahu responde a um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional e a acusações de corrupção, que nega.
A participação chegou a 77,7%, a maior em mais de duas décadas, com forte mobilização entre os israelenses de origem palestina, que somam mais de um quinto da população. Ainda não está claro como ficará a formação de uma coalizão, nem se a oposição conseguirá apoio da Lista Conjunta, aliança de partidos árabes que a maioria dos líderes judeus tem evitado.




