A startup de defesa Destinus afirmou à agência Reuters que já produziu mais de 1.750 mísseis de cruzeiro Ruta na Europa. Segundo a empresa, a produção mensal chegou perto de 300 unidades, volume superior ao que o continente fabricava em um ano antes da invasão russa em grande escala da Ucrânia.

A sede da companhia fica nos Países Baixos. O diretor-executivo Mikhail Kokorich disse esperar que, a partir do próximo ano, a empresa consiga atender a demanda europeia, incluindo a ucraniana, por motores turbojato na faixa de cerca de 1,5 quilonewton de empuxo, usados em mísseis de cruzeiro. Segundo ele, esses motores já são produzidos em série e vendidos tanto para os próprios mísseis quanto para outros fabricantes.

Contexto

A indústria de mísseis da Ucrânia cresceu rapidamente durante a guerra, mas fabricantes enfrentaram limites para ampliar a produção de armas com propulsão a jato, incluindo o acesso a sistemas de propulsão. O Ruta foi reconhecido publicamente como usado em combate em outubro de 2025, quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy declarou que o míssil havia sido empregado operacionalmente.

A empresa também informou ter iniciado a produção do Ruta Block 2, versão maior, projetada para transportar carga de 250 kg e percorrer mais de 700 km. Diferentemente do Block 1, esse modelo pode ser armazenado, transportado e lançado a partir do mesmo contêiner, o que simplifica a logística de estoques maiores.

Desafio militar

Kokorich afirmou que a Europa passa de um desafio de produção para um desafio de integração militar, à medida que os estoques de mísseis crescem. Ele disse que dissuasão suficiente exigiria dezenas de milhares de mísseis, mas que clientes europeus ainda precisam montar unidades militares e capacidades logísticas para operar esses sistemas em grande número.

Segundo o executivo, os arsenais futuros exigirão infraestrutura de armazenamento, transporte, manutenção e definição de alvos. Ele defendeu que os exércitos europeus revisem a forma como estocam e empregam armas de precisão. Kokorich também contrastou a cadeia de suprimentos da empresa, sem componentes chineses, com a produção de guerra na Ucrânia, na qual o acesso a fornecedores chineses tornaria a fabricação mais barata e rápida.

Ao mesmo tempo, o executivo se opôs ao foco crescente em armas de ataque de longuíssimo alcance. Para ele, mísseis mais baratos, com alcance inferior a 1.000 km, devem responder pela maior parte da demanda futura. Ainda não há informações sobre contratos específicos, volumes de entrega aos clientes europeus ou o calendário de integração das unidades militares.