Os democratas moderados ampliaram sua presença no Congresso dos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato. Eles conquistaram cadeiras em estados de tendência republicana, como Kansas, Iowa, Carolina do Sul e Texas, e reverteram distritos em Kentucky, Carolina do Norte e Wisconsin.

Durante a campanha, candidatos de esquerda que enfrentavam a cúpula do partido ganharam destaque e derrotaram parlamentares experientes nas primárias. Porém, a vitória ampla dos democratas foi construída principalmente por candidatos centristas, que convenceram eleitores insatisfeitos com Donald Trump de que eram confiáveis para governar.

Com a mudança no equilíbrio de forças, o deputado Hakeem Jeffries, provável próximo presidente da Câmara, e o senador Chuck Schumer, potencial líder da maioria, passam a contar com uma bancada mais moderada. Os eleitos prometem reduzir custos, melhorar a assistência à saúde e recuperar a confiança no governo, sem necessariamente promover mudanças amplas.

Divisão interna

A ala mais à esquerda, que ajudou a mobilizar a base do partido, espera que suas prioridades entrem na agenda da nova maioria. Parlamentares centristas, por sua vez, defendem medidas graduais. A deputada Elaine Luria, que recuperou uma cadeira na Virgínia, afirmou que os moderados de distritos disputados foram decisivos para a vitória na Câmara.

No Senado, Schumer deve continuar pressionado por integrantes da ala esquerdista, que conquistaram vitórias com candidatos no Michigan e no Maine. Schumer afirmou que as diferenças são apenas de comunicação e que a bancada seguirá unida.

Mesmo com o controle das duas casas, os democratas dependerão de apoio republicano no Senado para aprovar boa parte de sua agenda, o que tende a favorecer propostas graduais. Jeffries disse que o partido está aberto ao diálogo com Trump, caso isso traga mudanças concretas para os eleitores, mas não confirmou se trabalhará com o presidente.

Ainda não está claro como a bancada conciliará as demandas de uma esquerda fortalecida com um centro mais robusto. A forma como Jeffries administrará essas diferenças deve definir sua presidência na Câmara.